terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Eric Rohmer – “A Mulher do Aviador” / “La Femme de L’Aviateur”


Eric Rohmer – “A Mulher do Aviador” / “La femme de l’aviateur”
(França – 1980) – (104 min. / Cor)
Marie Rivière, Philippe marland, Mathieu Carrière, Philippe carot, Arielle Dombasle.

Com “A Mulher do Aviador” / “La Femme de l’aviateur”, Eric Rohmer inaugurou uma nova série de filmes, após a conclusão da anterior série intitulada, genericamente, “Contos Morais”. Desta feita a nova série, constituída por seis longas-metragens, foi denominada “Comédias e Provérbios” e, como não podia deixar de ser, o autor aposta neste primeiro filme no famoso jogo de enganos, usando o jovem François (Philippe Marlaud), que trabalha no turno da noite nos Correios e se encontra apaixonado por Anne (Marie Rivière), que por sua vez possui um horário de trabalho normal, para nos servir como um verdadeiro cicerone da película.


Tudo começa numa manhã bem cedo, quando Charles vê a sua amada na companhia de um aviador (Mathieu Carriére), a saírem do prédio onde vive Anne, de imediato cheio de ciúmes decide seguir o piloto até uma gare, onde o irá perder de vista, porque entretanto adormece sentado à mesa do café. Louco de ciúmes, procura Anne, mas esta não lhe dá qualquer explicação, após uma longa discussão.

Irá o destino no entanto fazer com que François volte a encontrar o aviador na companhia de uma outra mulher, decidindo segui-los de forma pouco discreta e aqui Eric Rohmer aproveita para nos convidar a percorrer Paris e muito em especial a célebre zona verdejante dos Buttes-Chaumont, onde François irá conhecer uma jovem liceal chamada Lucie (Anne-Laure Meury), que o irá ajudar a obter uma fotografia do aviador e da mulher que o acompanha, numa das sequências mais hilariantes da película.


Este jogo de pequenos acasos, conduzidos de forma perfeita por Eric Rohmer, convida o espectador a repensar como a vida se encontra repleta de encontros fortuitos, assim como as relações entre as pessoas são constituídas por uma poderosa teia de conhecimentos, em que A conhece B e C, mas desconhece que C é amigo de B, e assim sucessivamente numa viagem infinita de relações, já que como iremos saber quase no final do filme, um colega de trabalho de François é namorado/amigo de Lucie e a mulher que acompanha o aviador não é a sua esposa.


“A Mulher do Aviador” / “La Femme de l’aviateur” revela-se assim um saboroso e perfeito jogo de pequenos enganos, que prende o espectador do primeiro ao último minuto, demonstrando mais uma vez o imenso saber desse cineasta que foi sempre eternamente jovem chamado Eric Rohmer.

Sem comentários:

Enviar um comentário