segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Denys Arcand – “As Invasões Bárbaras” / “Les Invasions Barbares”


Denys Arcand – “As Invasões Bárbaras” / “Les Invasions Barbares”
(Canada – 2003) - (99 min. / Cor)
Remy Girard, Stephane Rousseau, Marie-Josée Croze.

Em meados dos anos setenta, do século xx, surgia nos écrans de cinema em Portugal o Novo Cinema Canadiano, oriundo do Quebec (ainda se estava no tempo das novas vagas), através de Gilles Carle e Denys Arcand e também uma senhora chamada Carole Laure, que invadiu o imaginário de muito boa gente. "As Invasões Bárbaras", de Denys Arcand, recebeu o Oscar para o Melhor Filme Estrangeiro de 2003 e o César Francês para a mesma categoria.



Esta genial película é a continuação do filme "O Declínio do Império Americano", vinte anos depois, tal como fez Peter Bogdanovich com "A Última Sessão de Cinema" e "Texasville", também com os mesmos actores. A única diferença entre o filme americano e o canadiano, é que as personagens criadas por Larry McMurty existiam mesmo e o próprio Jeff Bridges foi "convidado a conhecer" a figura que interpretava.


Já "O Declínio do Império Americano" / “Le déclin de l’empire américain” de Dennys Arcand foi a resposta canadiana, bastante intelectualizada, ao filme de Lawrence Kasdan, "Amigos de Alex" / “The Big Chill”, da mesma forma que a inglesa se chamou "Os Amigos de Peter" / “Peter’s Friends”, realizada por Kenneth Branagh, todos eles fazendo o retrato da mesma geração nos diversos países de onde são oriundos os cineastas.


Eram os anos oitenta, estava-se decididamente na ressaca das ideologias, a geração que tinha prometido a imaginação ao poder, acomodara-se à existência dos tempos, os yuppies começaram a nascer e os célebres Mercados encontravam-se em gestação nesse célebre ovo da serpente de que um dia nos falou Ingmar Bergman e o sonho perdia-se nas esquinas da vida. Restava a memória e a reflexão de uma época que permanecia na memória de muitos.


Em "O Declínio do Império Americano", Denys Arcand fala-nos de um grupo de amigos, quase todos ligados à área de História, que se encontram num fim-de-semana no campo. Mas antes de os encontrarmos todos juntos, iremos descobrir o universo feminino e o universo masculino em separado, elas falam deles e eles falam delas... é a História, os Sentimentos, a Sexualidade, o Amor e o Desconhecimento do Futuro que nos foi Reservado.


Vinte anos depois, Denys Arcand regressa a esses mesmos personagens - usando os mesmos actores - em "As Invasões Bárbaras" / “Les invasions barbares” e oferece-nos o "relatório" do estado do mundo no nosso quotidiano, através da despedida da vida de um dos personagens - Remy, o agitado professor de História, cujo filho, um yuppie que trabalha na bolsa, lhe irá oferecer o seu reencontro/despedida da sua verdadeira família, esses eternos Amigos, que muito tempo depois, respondem todos à chamada e o acompanham num outro fim-de-semana, o derradeiro, na mesma casa, no mesmo lago, onde se encontraram vinte anos antes e as memórias, tal como os destinos daqueles personagens, acabam por ser também as imagens da nossa memória e dos nossos sentimentos. Estamos assim perante um filme maravilhoso sobre a amizade e os insondáveis caminhos da vida que vos recomendo a descobrirem.

Sem comentários:

Enviar um comentário