terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Claude Berri – “Manon das Nascentes” / “Manon des Sources”


Claude Berri – “Manon das Nascentes” / “Manon des Sources”
(FRANÇA – 1986) – (113 min. / Cor)
Yves Montand, Daniel Auteil, Emmanuelle Bèart, Hippolyte Girardot, Elizabeth Depardieu.

Como não podia deixar de ser, após terminar a rodagem de “Jean de Florette”, o cineasta Claude Berri iniciou de imediato as filmagens de “Manon das Nascentes” / “Manon des Sources”, baseado no romance de Marcel Pagnol, sendo de referir que o próprio escritor, também ele cineasta, realizou em 1952, a sua versão de “Manon des Sources”. Mais uma vez Gerard Brach irá ser o responsável pelo argumento, ao mesmo tempo que iremos descobrir no filme de Claude Berri, uma das maiores actrizes do cinema francês, Emmanuelle Béart, que na época já começava a dar bem conta do recado, nos filmes em que participava, tanto no cinema como no pequeno écran.


Após terem provocado a morte de Jean de Florette (Gerard Depardieu), o grande proprietário da zona, César Soubeyran (Yves Montand), compra a propriedade de Jean de Florette à mulher deste, que retorna a Paris, para o seu sobrinho Ugolin (Daniel Auteuil) dar expansão à sua criação de cravos e rosas. Mas Manon (Emmanuelle Béart), que sabia desde criança quem são os responsáveis da morte do pai, permanece na região, criando cabras, ao mesmo tempo que vive no lar de um casal de rendeiros, que vivem na zona e que sempre a acolheram como se tratasse da sua própria filha.


Manon (Emmanuelle Béart) irá então descobrir, por mero acaso, numa gruta, a nascente do rio que abastece a região, decidindo bloquear a passagem das águas, que assim deixam de abastecer de água tanto a região como a própria aldeia, provocando o caos e o terror entre os seus habitantes, que começam a acusar-se mutuamente do sucedido, nunca encontrando uma explicação plausível para o sucedido. A forma como o cineasta nos dá a ver as reuniões, demonstra bem que em casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão, como diz o ditado popular.
Entretanto Ugolin (Daniel Auteuil), que continua a espiar a rapariga, termina por se apaixonar perdidamente por ela e quando se declara à jovem, a resposta é inevitavelmente negativa, para seu grande desespero.


Mais uma vez Claude Berri nos oferece um filme brilhante em todas as suas vertentes, desde as interpretações até à realização, passando pela fotografia, onde a luz surge como um componente fundamental.
Neste segundo filme iremos descobrir uma nova personagem, o professor da aldeia Bernard Olivier (Hippolyte Girardot), que desde o primeiro momento em que se cruza com essa rapariga de aspecto selvagem, chamada Manon (Emmanuelle Béart), demonstra desde logo um enorme carinho por ela. Já Ugolin (Daniel Auteuil), ao ver as suas flores a morrerem à sede, ao mesmo tempo que é desprezado por Manon, termina por se suicidar, roído pelos remorsos dos actos praticados, que levaram à morte de Jean de Florette.


Ao acompanharmos esta história, que se estende por diversas gerações, acabaremos por saber que outra pessoa da aldeia se encontra a par do terrível acto cometido por César Soubeyran e Ugolin, mas perante a forma como os citadinos eram odiados por toda a população decidiu manter-se calado, até chegar esse momento em que também ele sem água, decide contar a verdade, perante uma reunião dos habitantes da aldeia, onde Manon sai vitoriosa e César Soubeyran (Yves Montand) é condenado por todos, decidindo a rapariga com a ajuda do professor, desbloquear as águas na gruta.
Mas se neste momento da película pensamos que foi feita justiça, estamos ainda bem longe de conhecer o terrível drama de que será ser vítima Soubeyran, quando tem conhecimento do teor de uma carta, nunca recebida, da mulher que amou perdidamente, levando-o a passar o resto dos seus dias a espiar os seus pecados.


“Jean de Florette” e “Manon des Sources”, de Claude Berri, surgem assim como uma das obras-primas do cinema francês da década de oitenta, marcando decididamente o imaginário cinematográfico de todos aqueles que tiveram a oportunidade de ver no grande écran esta obra fabulosa escrita por Marcel Pagnol.

4 comentários:

  1. Tão belas imagens que o cinema permite, a partir de uma história extraordinária!

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    1. Uma obra única no interior do cinema francês!
      Boa Tarde!

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  2. Respostas
    1. Vi ambos os filmes no cinema Star em Lisboa, uma dessas magnificas salas de cinema já desaparecidas infelizmente. Em DVD há uma excelente edição de origem britânica, com os dois filmes juntos.
      Boa Tarde!

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