quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Anthony Mann – “Terra Distante” / “The Far Country”


Anthony Mann – “Terra Distante” / “The Far Country”
(EUA – 1954) – (97 min. / Cor)
James Stewart, Ruth Roman, Walter Brennan, Corine Calvet, John McIntyre.

Quando falamos nos cineastas do “western”, três nomes surgem de imediato na nossa memória: John Ford, Howard Hawks, Raoul Walsh. No entanto, há um nome que transfigurou decididamente a paisagem com os seus filmes, o nome desse autor é Anthony Mann.
Olhar os “westerns” de Anthony Mann é, acima de tudo, olhar a paisagem, essa mesma paisagem considerada por ele como fundamental porque ela está lá e não é um artifício dos Estúdios, basta para isso recordar a forma como somos “esmagados” pela natureza em “Terra Distante” / “The Far Country”, quando Jeff Webster (James Stewart) olha as montanhas cobertas de neve que separam o território americano do canadiano.


E por falar em James Stewart, convém recordar que ele foi o actor eleito por Anthony Mann para seu “alter-ego” nos “westerns”, tal como John Ford teve John Wayne ou Budd Boetticher teve Randolph Scott. Encontramos aqui um Jimmy Stewart muito distante das personagens interpretadas pelo actor, muito longe do Glenn Miller criado pelo mesmo Anthony Mann, para já não falarmos do filme que mais o celebrizou: “Do Céu Caiu Uma Estrela” de Frank Capra


Nos “westerns” de Anthony Mann, James Stewart é uma personagem antipática e cínica, mesmo azeda como sucede em “Esporas de Aço” / “Naked Spur”, nessa personagem do caçador de prémios, levando-nos até a simpatizar com o seu oponente Robert Ryan, porque muitas vezes é-nos difícil distinguir o herói do vilão. Também em “The Man From Laramie” / “O Homem Que Veio de Longe”, James Stewart não representa o simpático herói com que nos identificamos à primeira vista, mas em "Terra Distante” / “The Far Country” ele é o individualista e egoísta, que não arrisca um dedo por ninguém seja ele o companheiro de sempre ou a população de uma cidade a nascer, explorada por corruptos chefiados por Gannon (John McIntyre), o representante dessa “law & order” do Oeste Selvagem, em que as armas dos pistoleiros ditavam o destino. Repare-se que Jeff só toma uma atitude depois de lhe ter sido roubado o ouro, pelo qual tinha sacrificado tudo. Mas quem é Jeff Webster?


Ele chega conduzindo uma manada de gado no início da película, no entanto algo se passa, quando o vimos a entregar as armas aos homens que o acompanham, no trajecto dois deles tinham sido por ele abatidos. Acusado de os ter morto, consegue fugir às autoridades graças a Rhonda Castle (Ruth Roman) e aqui surge um elemento preponderante na acção – a Mulher – essa mesma mulher que nos “westerns” teve quase sempre um papel “decorativo” na acção, introduzindo aqui Anthony Mann um elemento exterior à paisagem clássica. Rhonda é uma mulher só, que sabe sobreviver nas condições mais inóspitas, de acordo com as suas conveniências (esplendorosa Ruth Roman, lembram-se dela em “O Assassino do Norte-Expresso” de Alfred Hitchcock ou “Cruel Vitória” de Nick Ray?), até ao momento em que a paixão se apodera do seu coração, oferecendo a vida pelo seu amor.


É verdade, esta película oferece-nos um outro duelo geralmente ausente do “western” (excepto o caso de “Johnny Guitar” em que a luta se trava entre duas mulheres: Joan Crawford e Mercedes McCambridge num tiroteio final), o de duas mulheres pela posse/amor de um homem, embora neste caso se trate de uma mulher e uma adolescente, mas como dirá Rhonda acerca de Renée (Corine Calvet), ela já é uma mulher, daí os seus ciúmes.
“Terra Distante” / “The Far Country” revela-se no interior da filmografia de Anthony Mann como o seu melhor “western” e um dos mais importantes no género, tanto pela sua originalidade como por esse protagonista natural intitulado a Paisagem.

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