sábado, 21 de janeiro de 2017

William Friedkin – “Viver e Morrer em L.A.” / “To Live and Die in L.A.”




William Friedkin – “Viver e Morrer em L.A.” / “To Live and Die in L.A.”
(EUA - 1985) – (116 min. / Cor)
William Petersen, Willem Dafoe, Debre Feuer, John Pankow, John Turturro.


William Friedkin, ao realizar "To Live and Die in L.A.", regressou a um dos temas mais amados: a vida nas grandes metrópoles, neste caso concreto Los Angeles, a cidade dos Anjos. O ambiente escolhido foi mais uma vez a instituição policial, dentro da linha do célebre "Os Incorruptíveis Contra a Droga" / "The French Connection", que dirigiu com mão de Mestre.
Nascido em Chicago em 1939, Friedkin fez escola na TV, como todos os cineastas da sua geração, iniciando-se no grande écran em 1967, com a película "Good Times". A sua obra, até ao Oscarizado "Os Incorruptíveis Contra a Droga" com um Gene Hackman inesquecível com o seu chapéu e charuto, era já reveladora do género de cinema que pretendia desenvolver, nesse outro lado da vida, diremos antes da noite, no interior das suas vertentes menos iluminadas, esquecidas muitas vezes por todos nós.


"Os Rapazes do Grupo" / "The Boys in the Band", datado de 1970, revelava-se já como contendo todas as características desse outro universo, vivo e polémico. "O Exorcista" / "The Exorcist" em 1973 e as famosas sequências deixadas na mesa de montagem, seria outro êxito, senão o maior!
Depois de "O Exorcista", as películas de William Friedkin não voltaram a obter o grande sucesso, embora todos eles sejam possuidores da marca do seu autor e podemos usar o termo autor sem qualquer equívoco, já que estamos perante um dos grandes autores do cinema americano contemporâneo. "O Comboio do Medo" / "Sorcerer" (1) ou "A Caça" / "Cruising" com um fabuloso Al Pacino, constituem a estrada que irá dar a "Viver e Morrer em Los Angeles" e todos nós nos recordamos dessa perseguição na “Free-way” de L.A. em sentido contrário, cuja sequência apenas custou mais que toda a produção cinematográfica Portuguesa desse ano.


Com "Viver e Morrer em Los Angeles" / "To Live and Die in LA", William Friedkin demonstra, mais uma vez, ser conhecedor de todos os condimentos necessários à feitura de um filme e o ritmo vertiginoso que imprime às imagens, a corrupção (i)legal que espreita em cada fotograma, lembrando-nos o magnifico "O Príncipe da Cidade" / "Prince of the City" de Sidney Lumet, e todas as pequenas histórias e sugestões que nos oferece o ambiente da grande Metrópole, transformam esta película numa das mais importantes deste realizador. (2)
Partindo da história de um polícia que pretende vingar a morte do companheiro, o cineasta estabelece um clima emocional, que nos prende às imagens e que nos leva no final a ficar com um ligeiro sorriso amargo nos lábios e a certeza de que, na guerra da vida das grandes metrópoles, não há vencedores, simplesmente regras do jogo (3), que se cumprem umas vezes ou se furam, fechando os olhos aos acontecimentos, adiando a sorte, essa sorte de partir para outro lugar, para além da morte.


Nota: William Petersen, o protagonista de "Viver e Morrer em L.A.", tornou-se anos mais tarde no célebre investigador da série de televisão  C.S.I. Las Vegas. Aqui fica o nosso convite para o (re)descobrirem neste policial espantoso.

(1) - Recordam-se da banda sonora dos Tangerine Dream?
(2) – E nunca nos poderemos esquecer que neste filme surge, vindo do teatro, Willem Dafoe, numa interpretação soberba
(3) – As tais regras do jogo, que muitos anos antes Jean Renoir tão bem retratou.

Sem comentários:

Enviar um comentário