segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Mark Robson – “As Pontes de Toko-Ri” / “The Bridges of Toko-Ri”



Mark Robson – "As Pontes de Toko-Ri" / "The Bridges of Toko-Ri"
(EUA – 1954) – (102 min/Cor)
William Holden, Grace Kelly, Frederic March, Mickey Rooney, Keiko Awaje.


Este filme de Mark Robson retrata-nos a vida de um porta-aviões americano, nesse cenário da guerra-fria que se chamou a Guerra da Coreia. Dizemos guerra-fria, porque se nesta guerra civil onde as ideologias se digladiavam entre homens da mesma nacionalidade (coreanos), na verdade, o grande apetite era o Japão e daí o motivo de as forças estacionadas nesse país terem sido deslocadas para a Coreia, chefiadas pelo célebre General McArthur, que viria a ser destituído depois de ter pretendido lançar a bomba atómica na península coreana, para impedir o avanço das tropas norte-coreanas, aliás na época viveram-se os piores cenários, até que tudo terminou pela divisão do país no célebre paralelo que ainda hoje divide as duas Coreias, como todos sabemos.


O filme de Mark Robson oferece-nos a vida dos tripulantes de um porta-aviões, baseando-se num livro do célebre James Michener, mas se a vida dessa tripulação com as suas missões surge como o tema do filme à primeira vista, o que reside nesta película de importante é a forma como aqueles homens encaram essa guerra que não lhes pertence, sentindo todos eles que estão no local errado à hora errada, mas como “nestas coisas” os políticos é que têm sempre a última palavra, eles apenas têm que obedecer às ordens dadas, mesmo quando elas são oriundas de irresponsáveis, sinónimo da perda de vidas.

Harry Brubaker (William Holden) é um daqueles pilotos que trocou o seu escritório de advogado pela cabine do caça e quando ele, logo no início do filme, é obrigado a largar o aparelho no mar por falta de combustível, para depois ser recolhido pelo helicóptero tripulado pelo truculento Mike (Mickey Rooney), percebemos como tudo divide estes dois homens e os junta simultaneamente. Por outro lado, o Almirante do porta-aviões George Tarrant (Frederic March), não gosta de perder os seus homens, como veremos ao longo do filme, já que perdeu os filhos em combate.


Em Tóquio, Nancy Brubaker (uma Grace Kelly soberba) espera pelo seu marido, com as duas filhas pequenas e será aí que iremos descobrir como aquele homem ama perdidamente a sua família, embora no navio faça parte de outra família, que também ama. Mas cada vez mais o medo de morrer em combate o leva a interrogar-se sobre as razões daquela guerra distante da pátria e com a qual não se identifica. Iremos assistir assim a um primeiro combate na passagem do tempo em Tóquio, quando decide abdicar do pouco tempo que possui para passar com a mulher e as filhas, para ir buscar Mike à prisão, depois de este se ter envolvido em desacatos com a polícia militar e os marinheiros do Essex, porque um deles lhe roubou o coração da bela Kimiko (Keiko Awaje). Como sabemos foram inúmeros os romances entre soldados americanos e raparigas japonesas, tantas vezes retratados no cinema.


Ao regressar ao porta-aviões, as saudades de casa aumentam, mas uma nova missão é-lhe apresentada: participar no bombardeamento das pontes de Toko-Ri, um voo cheio de riscos e que o leva a sentir que aquela será a sua última missão e aqui Mark Robson oferece-nos o momento forte do filme, mostrando-nos de forma exemplar as dúvidas que assaltam o piloto perante o inevitável.
O ataque será efectuado com êxito, mas Harry Brubaker irá ver o seu avião atingido após a segunda passagem pelas pontes durante o bombardeamento, sendo obrigado a aterrar e a refugiar-se numa vala pantanosa, enquanto os seus colegas, nos caças, o protegem do fogo inimigo. Ele que nunca disparara um tiro, tem uma pistola na mão e pouco sabe o que fazer, até que o helicóptero de Mike o vem socorrer, mas tudo corre mal e acabam por morrer todos naquela vala imunda, fruto de uma guerra criada por políticos e ideologias.

O Vietname ainda estava longe, o Iraque era uma miragem, mas as guerras são o pior jogo criado pelo homem desde que a humanidade existe, nelas não há vencedores nem vencidos, apenas destruição e morte e ao revermos este filme de 1954 de Mark Robson, somos obrigados a pensar que muito pouco mudou no mundo, embora as ideologias estejam em baixa, absorvidas pelo capital, a guerra continua em alta, infelizmente, e não há forma de se terminar com elas para o mundo poder viver em paz. Porque o desejo do tenente Harry Brubaker no filme é o desejo de todos nós, viver em paz com o próximo, compartilhando o amor com a sua família.

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