domingo, 22 de janeiro de 2017

John Milius – “O Leão e o Vento” / “The Wind and the Lion”


John Milius – “O Leão e o Vento” / “The Wind and the Lion”
(EUA – 1975) – (119 min. / Cor)
Sean Connery, Candice Bergen, Brian Keith, John Huston, Steve Kanaly.

John Milius será talvez o mais esquecido cineasta da geração dos “movie-brats”, apesar do seu enorme contributo para filmes que fizeram o sucesso de uma geração, basta recordar o seu trabalho como argumentista em obras como “Apocalypse Now”, “Tubarão” e “1941 – Ano Louco em Hollywood”, entre outros, para já não falar desses argumentos espantosos que são “As Brancas Montanhas da Morte” de Sydney Pollack ou “O Juiz Roy Bean” de John Huston, para percebermos de imediato o seu valor.


Este cineasta nascido em St. Louis, Missouri, que se estreou na realização com a película “Marcello, I’m Bored”, filme de final do curso, sendo o primeiro diplomado no cinema, surpreendeu tudo e todos com a sua película “Dillinger” em 1973, (memorável a interpretação de Warren Oates, sendo de destacar na sua filmografia, obras como “Três Amigos” / “Big Wednesday” (1978 - o seu melhor filme), “Conan e os Bárbaros” / “Conan the Barbarian“ (1982) e “O Leão e o Vento” / “The Lion and The Wind”, com Sean Connery, nesta última película, a oferecer-nos uma deslumbrante interpretação na figura do árabe Mulai Ahmed er Raisuli.


Logo no início do filme iremos ser surpreendidos pela forma como John Milius filma o rapto de Eden Pedecaris (Candice Bergen) e dos seus dois filhos, por este árabe, filho do deserto, mas pertencente à família Real Marroquina, que não gosta de ver as potências ocidentais no seu país. Recorde-se que a acção da película decorre em inícios do século xx, numa época em que o Presidente Theodore Rosevelt (Brian Keith), apesar de cultivar o então célebre isolacionismo norte-americano, gostava de demonstrar que a América era uma potência militar a ser temida no contexto internacional.


Mulai Ahmed er Raisuli (Sean Connery) elege o deserto marroquino como a sua casa, mas ao raptar a americana Eden Pedecaris (Candice Bergen) vai descobrir que raptou uma verdadeira leoa, que luta com todas as suas forças, contra ele e os seus intentos, terminando por estabelecer uma relação de admiração pelo seu raptor, ao descobrir as suas verdadeiras intenções. O que não irá impedir que um contingente norte-americano desembarque no Reino de Marrocos, comandado pelo Capitão Jerome (Steve Kanaly), que de imediato toma de assalto o Palácio Real, exigindo a entrega da mulher e das duas crianças.


Iremos assistir a um curioso jogo diplomático entre as diversas potências, que tentam estender a sua influência ao Reino de Marrocos, ao mesmo tempo que vão introduzindo as suas forças militares no território, no jogo geoestratégico da época, recorde-se que estamos nas vésperas da Primeira Guerra Mundial.
O Xeque Mulai Ahmed er Raisuli (Sean Connery), tio do Príncipe, apenas pretende o reconhecimento do seu direito, a uma parcela do território, que reclama como sua, demonstrando isso mesmo aos diversos elementos que vai raptando, nunca molestando nenhum deles, acabando por criar laços de amizade com todos eles, como irá perceber a americana Éden Pedecaris (Candice Bergen), que após ser libertada e preso Mulai Ahmed er Raisuli (Sean Connery), tudo fará para alterar o seu destino.


Revisto nos dias de hoje, a película “O Leão e o Vento” / “The Wind and The Lion” de John Milius, descobrimos não só um filme com uma direcção de actores perfeita, destacando-se os protagonistas, como não podia deixar de ser, mas onde também se encontra um argumento cativante e que se tornou com o passar dos anos, motivo para uma reflexão ideológica, sobre as premissas dos conflitos culturais existentes no mundo, enquanto por outro lado estamos perante uma realização sem falhas e com uma planificação perfeita, de forma a cativar o espectador do filme.

John Milius, possivelmente o mais esquecido dos “movie-brats” merece bem, que seja descoberta a sua filmografia dos anos setenta, que possui no seu interior, uma mão cheia de belas surpresas.  

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