segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

James Ivory – “A Condessa Russa” / “The White Countess”



James Ivory - "A Condessa Russa" / "The White Countess"

(ALE/CHINA/EUA/GB - 2005) – (138 min. / Cor)
Ralph Fienes, Natasha Richardson, Hiroyuki Sanada, Vanessa Redgrave.

Em a “Condessa Russa” / “The White Countess” estamos perante a última produção de Ismail Merchant que, infelizmente, não teve tempo de ver triunfar esta obra-prima, através da extraordinária engenharia financeira consolidada através do esforço em três continentes, ou mais concretamente, Alemanha e Inglaterra, Estados Unidos da América e China.
Decididamente a Republica da China abriu as portas ao mercado cinematográfico e esta película, totalmente rodada nesse país, encontrou no director de fotografia Christopher Doyle um digno sucessor de Tony Pierce-Roberts, habitual companheiro de James Ivory. Como não podia deixar de ser Doyle, habitual colaborador de Wong Kar-Way, deixa a sua assinatura bem patente em “A Condessa Russa”.


Muito se tem escrito acerca do “academismo” de James Ivory, usando todos os pretextos para menorizar o seu cinema e as suas adaptações cinematográficas de obras literárias clássicas (E. M. Forster e Henry James), sucede que as “razões” desses detractores caíram como um castelo de cartas, através da visão de “A Condessa Russa” / “The White Countess”.
Tal já tinha sucedido aquando da adaptação cinematográfica de “Escravos de Nova Iorque” / “Slaves of New York” da escritora Tama Janowitz, altura em que muitos descobriram a nacionalidade de James Ivory, afinal o cavalheiro, que muitos pensaram e baptizaram de inglês era norte-americano. No entanto bastava recordar essa (des)conhecida obra-prima intitulada “Selvagens” / “Savages”, datada de 1972, que até teve honras de estreia nacional no Quarteto, mas por vezes a memória cinematográfica de alguns fica congelada no tempo.


Regressando ainda à questão do argumento, desta vez não se trata de uma adaptação literária, já que Kazuo Ishiguro (“Os Despojos do Dia” / “The Remains of the Days”) é o autor do guião e nele vamos descobrir uma bela condessa russa chamada Sofia Belinskya (Natasha Richardson), a sobreviver em Xangai, usando a sua beleza como “força de trabalho” num clube nocturno, a fim de sustentar a filha e a família do marido, antigos membros da aristocracia russa refugiados da revolução, tal como outros russos brancos, que se espalharam pelo mundo após o triunfo dos Bolcheviques.
A situação de Sofia é a da dupla exploração, à noite no clube, de dia em casa pela família do marido, vivendo todos eles dos seus ganhos, ao mesmo tempo que tentam por todos os meios tirar-lhe o amor da filha.


Xangai, quando nasceu o ano de 1936, desconhecia que estava prestes a ser invadida pelo Japão, mas o enigmático Mr. Matsuda (um magnifico Hiroyuki Sanada) preparava o terreno, até que um dia se cruza com o ex-diplomata Todd Jackson (Ralph Fiennes excelente na composição), cego na vida e na esperança, depois de ter perdido a família na grande cidade, usufruindo agora dos prazeres possíveis. Estas duas personagens, a primeira com uma missão a cumprir, a segunda sem nada a perder, irão criar um espaço/clube, onde a paz será possível para todos, num mundo à beira do abismo. Será no entanto, numa outra esquina da vida, que Sofia (Natasha Richardson) irá proteger Todd (Ralph Fiennes) de um assalto, fazendo-o passar por seu cliente.
A pouco e pouco os seus laços invisíveis vão-se cruzando, para ficarem ligados para sempre, mas por vezes os sentimentos são cegos ao desejo nascente no interior do corpo e será um homem como Matsuda, com uma missão a cumprir e impenetrável, a oferecer a Todd Jackson a visão, perdida por este no passado.

James Ivory

“The White Countess” é o nome do bar criado por Todd Jackson, onde a anfitriã é Sofia (Natasha Richardson), local de encontro das mais variadas culturas e ideologias, o espaço da sociedade perfeita criada por Mr. Matsuda através do ex-diplomata Todd Jackson mas os ventos da História, inevitavelmente, teriam que alterar o estado das coisas. Mr Matsuda era detentor desse segredo, mas Todd Jackson desconhecia-o, no entanto, Mr Matsuda oferece-lhe em troca, pela perda de “The White Countess”, o conhecimento do amor da verdadeira Condessa Russa e no turbilhão de um mundo em guerra, tinha chegado o momento de Jackson partir em busca desse amor ainda não perdido, apenas um pouco distante.
Numa época em que os sentimentos e o melodrama são muitas vezes substituídos pelos “efeitos especiais” e argumentos inenarráveis, “A Condessa Russa” / “The white Countess” de James Ivory é uma das mais belas histórias de amor, oferecidas pelo Cinema!

4 comentários:

  1. Um filme belo, com actores extraordinários!
    James Ivory nunca decepciona!

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  2. Não vi o filme mas gosto sempre da delicadeza de James Ivory... Vou tentar ver. Bom Ano!

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    Respostas
    1. O filme passou despercebido aquando da estreia, infelizmente. Mas como está disponível em dvd é sempre uma forma de o descobrir, além disso o dvd possui uns excelentes extras.
      Obrigado pela visita e comentário e votos de um excelente Ano Novo 2017!

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