domingo, 29 de janeiro de 2017

Hugh Hudson – “Revolução” / “Revolution”


Hugh Hudson – “Revolução” / “Revolution”
(ING/EUA/NOR – 1985) – (126 min. / Cor)
Al Pacino, Donald Sutherland, Nastassja Kinski, Joan Plowright.


A Industria Britânica sempre esteve de certa forma ligada à norte-americana e "Revolução" / "Revolution"é um bom exemplo, não só pelo que representa como pelo alcance atingido. Hugh Hudson não é propriamente um desconhecido, já que era um dos cineastas do clã Puttnam/Goldcrest, e o responsável por obras como o laureado "Momentos de Glória" / "Chariots of Fire" e o magnifico "Greystoke" / "Greystoke: The Legend of Tarzan, Lord of the Apes", a verdadeira saga de Tarzan.
"Revolução" é a história da Fundação da América e a consequente luta da independência. Os actores escolhidos foram Al Pacino, Nastassja Kinski e Donald Sutherland, para uma película que iria terminar num profundo desastre financeiro, já que em termos filmicos estamos perante uma das mais belas obras do Cinema Histórico, que nos foi oferecido pela Sétima Arte.


Tom Dobb (Al Pacino) e o filho ao descerem o Hudson são apanhados pela Revolução e depois de perderem o barco (o seu meio de sobrevivência) são obrigados a alistar-se para combaterem os ingleses: os célebres casacas vermelhas. Não descobrimos em Tom Dobb o herói clássico, (ao contrário do que sucede em "O Patriota" e o tema da justa vingança) mas sim um homem obrigado a lutar e quando verifica que a batalha está perdida, foge com o filho, para salvarem a vida. Já a jovem aristocrata Daisy entra na revolução, contagiada pelos acontecimentos, e depois de uma experiência amarga, em termos familiares, adere de corpo e alma ao novo exercito americano criado por George Washington. O encontro inicial de Tom com Daisy, transporta-nos para o romance, mas o tema da guerra da independência que o invade, acaba também ele por ser invadido pela própria luta pela sobrevivência, mesmo quando ele não está coberto de heroísmo.
Hugh Hudson conseguiu criar os ambientes de uma forma maravilhosa, construindo verdadeiros frescos, tanto no início, como nas últimas sequências da película, onde se oferece o nascimento de uma nação com as suas novas ideologias e o reencontro de Tom e Dais: ela, a criança, estava rodeada de pequeninos americanos.


"Revolução" termina aqui, porque então começa a conquista do Oeste, lugar eleito pelo filho de Tom para recomeçar uma vida. Hugh Hudson criou com este filme, um dos mais belos frescos históricos da indústria cinematográfica, e não foi por acaso que muitos na época o compararam ao Mestre David Lean, também ele um britânico maravilhado pelo cinema americano e as suas superproduções. Infelizmente o cinema nos anos noventa do século xx viu surgir novos meios tecnológicos que de certa forma aniquilaram uma certa forma de olhar o cinema.
Procurem esta pérola e façam o seu visionamento certamente irão dar por bem empregue o tempo gasto.

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