terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Howard Hawks – “Rio Vermelho” / “Red River”



Howard Hawks - "Rio Vermelho" / "Red River"
(EUA – 1948) – (133 min. - P/B)
John Wayne, Montgomery Clift, Joanne Dru.

Para muitos, esta película é a estreia de Montgomery Clift no cinema, ao lado do já veterano John Wayne, mas na realidade é muito mais, já que nele se encontra o elemento que irá caracterizar os westerns de Anthony Mann: os espaços abertos que Kevin Costner tão bem retratou atrás da câmara em “Open Range” / “A Céu Aberto”. Mas regressemos a “Red River” e a essa história do Oeste Americano, em que a conquista do território era o objectivo primordial, recorde-se outra revisão do western que foi “Horizonte Longínquo” / “Far and Way” de Ron Howard, com a corrida das diligências para conquistar o melhor pedaço de terra ou esse western maldito que levou à falência um dos maiores Estúdios de Hollywood, a United Artists, criado por Charlie Chaplin, David Wark Griffith, Douglas Fairbanks e Mary Pickford e intitulado “As Portas do Céu” / “Heaven’s Gate”, realizado por Michael Cimino, mas mais uma vez estamos a sair da “pista das diligências” e o melhor é regressar a ela.


Howard Hawks disse por diversas vezes que o duelo que irá opôr Tom Dunson (John Wayne) e Mathew Garth (Montgomery Clift) era uma questão de casal e muito se escreveu depois acerca disso, quando após a morte de Monty Clift se começou abertamente a falar da sua vida privada, ora o que se passa é que estamos antes numa questão de passagem de testemunho de pai para filho, já que Mathew representa o filho que foi perdido por Tom, após a morte da mulher que amava e será uma outra mulher, a espantosa Joanne Dru, interpretando a figura de Tess Milay, que irá recolocar a questão e resolver um problema que parecia insolúvel.
Certamente alguns irão reparar no célebre gesto de Montgomery Clift a acender o cigarro e a oferecê-lo a John Wayne, mas nunca iremos vê-lo depois com ele, porque surge a elipse e, claro, chega a psicanálise, mas também não deveremos ir por aqui, porque o universo cinematográfico de Howard Hawks foi sempre um universo profundamente masculino. O que poderemos encontrar é na realidade um western espantoso, num preto e branco soberbo, onde navega aquela gente de Ford, como tão bem lhe chamou Luís de Pina, bastando para isso olhar o trio composto por Wayne, Dru e o inesquecível Walter Brennan, que surge aqui também como o narrador da película.


Para terminar, regressamos onde começámos, a esse espaço selvagem que é o Oeste Americano e toda a estrutura narrativa do filme, o qual percorre a viagem de milhares de cabeças de gado, em busca do destino que as irá levar até à civilização e a luta de um homem para quem aquela viagem representa o esforço de uma vida.
Mas também temos aqui a história da luta de duas gerações que se amam, não nos preocupemos com o termo, mas que também se respeitam, até ao momento em que a perdição se instala em Tom Dunson, devido à sua intransigência e falta de humanidade e o “filho pródigo” representado por Mathew Garth, decide colocar um fim na cegueira do “pai” e tomar conta do seu próprio destino e dos homens que o acompanham.
Será no entanto o elemento feminino que irá fazer a ponte e transformar o duelo final entre Wayne e Clift na reconciliação.
Howard Hawks realiza com “Red River” um dos mais maravilhosos westerns de sempre, a cópia que vimos no cinema, infelizmente, tinha uma breve quebra de som no momento mais romântico da película, entre o Monty e a Joanne, mas o espectador só tinha que recriar o diálogo, porque como diria o Grande Henri Langlois: as imagens falavam por si. Um filme que se encontra disponível em dvd e bem merece ser revisto ou redescoberto, se preferirem.

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