quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

O Beijo no Cinema

Burt Lancaster e Deborah Kerr (quem diria!)
em "From Here to Eternity" / "Até à Eternidade"
realizado por Fred Zinnemann.

Foi no ano de 1895, quando o cinema dava os primeiros passos, que muitos ficaram extasiados ao verem o primeiro beijo da História do Cinema, os intervenientes ficariam célebres, precisamente por essa ousadia e os seus nomes ficaram gravados para sempre na História da Sétima Arte. O cavalheiro chamava-se John Rice e possuía um desses bigodes que celebrizavam o sexo masculino no século XIX, já a senhora, de nome Mary Irvin, também era dona desses dotes que tornavam bem atraentes as damas dessa época. Convém referir que este par de jovens actores era oriundo do universo teatral e após serem filmados tornaram-se numa das principais atracções dos locais onde o filme era exibido, geralmente pequenos espaços em Feiras. Mas se o beijo se tornou um elemento bem preponderante no desenrolar da ficção no interior do cinema, ele também foi alvo de censura e até foi estipulado um tempo máximo para a duração de um beijo, o que levou muitos cineastas a contornarem o obstáculo como faria Hitchcock, que passava o tempo em guerra com a censura americana, censura essa que só terminaria no final dos anos sessenta.

John Rice e Mary Irvin e o primeiro beijo!

Billy Wilder, esse genial cineasta que nunca gostou da censura, até deu um título bem sugestivo a um filme protagonizado por Dean Martin e Kim Novak,: “Kiss me, Stupid!”, que em Portugal foi baptizado por “Beija-me Idiota!”. Mas se recordarmos alguns dos beijos que trazemos na memória cinéfila e se tornaram míticos, como é o caso do beijo  de Grace Kelly a James Stewart em “Janela Indiscreta” / “Rear Window”; o de Kim Novak e James Stewart à beira do abismo em “Vertigo”; os sucessivos beijos de Jean-Paul Belmondo e Jean Seberg nas ruas de Paris em “O Acossado” / “À Bout de Souffle” de Jean-Luc Godard; a atracção fatal entre Clark Gable e Ava Gardner em “Mogambo” de John Ford ou a tentação do mesmo Gable à beira do lago com a “inocente” Grace Kelly; David Hemmings e Vanessa Redgrave em “Blow-Up” de Michelangelo Antonioni; Frederick Forrest e Nastassja Kinski em “Do Fundo do Coração” / “One From the Heart” de Francis Ford Coppola, mas um dos mais significativos e inesquecíveis beijos do cinema surgiu num filme japonês, o belo “Contos da Lua Vaga” / “Ugetsu Monogatari” de Kenji Mizoguchi, porque aqui se trata de um beijo que marca o fim de um encantamento e o regresso à dura realidade. Mas se querem saber como Alfred Hitchcock gozava com as regras da censura (que me seja perdoado o termo), vejam esta fabulosa sequência de “Difamação” / “Notorius”, tendo Cary Grant e a bela Ingrid Bergman como protagonistas e como são belos os seus beijos!

Cary Grant e Ingrid Bergman em "Notorius" / "Difamação" de Alfred Hitchcock.
Os beijos que deixaram os rostos dos censores em chamas!

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