sábado, 10 de dezembro de 2016

George Stevens – “O Gigante” / “Giant”



George Stevens – "O Gigante" / "Giant"
(EUA 1956) – (201 min. / Cor)
Elizabeth Taylor, Rock Hudson, James Dean, Carrol Baker, Dennis Hopper, Sal Mineo.

Quando alguém me fala de George Stevens, recordo-me dele como o cineasta de obras inesquecíveis na História do Cinema, como o melodrama "Um Lugar ao Sol" / "A Place in the Sun", o "western" Shane" e este "O Gigante" / "Giant", o derradeiro filme de James Dean, para já não falar da sua adaptação ao cinema do famoso "Diário de Anne Frank" / "The Diary of Anne Frank". Mas também não me esqueço que ele, durante a Segunda Grande Guerra, chefiou a equipe de cinema que entrou pela primeira vez num campo de concentração, tendo registado as imagens desse horror até então desconhecido de todos.



Curiosamente, George Stevens é muito amado pelos cinéfilos americanos, embora os europeus não tenham grande paixão por ele, talvez pelo facto de ele se ter despedido do cinema com "A Maior História de Todos os Tempos" / "The Greatest Story Ever Told", mas se olharmos para trás encontramos obras profundamente amadas pelo grande público, recorde-se que foi ele que nos ofereceu essa "paixão criminosa" entre Montgomery Clift e Elizabeth Taylor e nunca num filme carregámos o fardo da culpa como em "Um Lugar ao Sol" / “A Place in the Sun”, a sequência do tribunal é antológica, depois "Shane" é um "western" fabuloso que é urgente recuperar e por fim chegamos a esta obra imensa chamada "O Gigante", o derradeiro filme de James Dean, o maior icon masculino da História do Cinema, vindo de duas obras-primas "Fúria de Viver" / “Rebel Without a Cause”e "A Leste do Paraíso"/ “East of Eden” ou não fossem os responsáveis pela sua feitura Nicholas Ray e Elia Kazan.
 “O Gigante”/ “Giant” é assim um filme incontornável, muitos anos depois até inspirou séries como “Dallas”, “Dinasty” e até “Falcon Crest”. Agora se virmos o filme com "olhos de ver", tem-se a certeza que parte da história da América, nomeadamente a relacionada com esse território denominado Texas, está ali representada. Basta começar pelos belíssimos cenários da casa de Leslie (Elizabeth Taylor) e Bick Benedict (Rock Hudson), que vão mudando conforme os anos passam, de forma subtil.


Vive-se a história de uma família, durante cerca de 40 anos, no imenso Estado do Texas, tendo-se contacto com os Benedict, quem os rodeia e com a ambiência política e económica da época naquela zona dos Estados Unidos da América. Este contacto com o lado económico está sobretudo ligado à relação que a personagem de James Dean (Jett Rink) tem com a família Benedict e o intenso desejo de provar que, através do poder económico (petrolífero), tudo se compra (até o amor substituto: a paixão que ele possui por Leslie será transferida para a sua filha).


É-nos dado a ver também um outro lado da América/Texas, onde existe uma profunda discriminação com outras raças, culminando na relação que se estabelece entre o filho primogénito de Bick Benedict, Jordan Benedict III (Dennis Hopper em início de carreira; não nos esqueçamos que "O Gigante" / “Giant” é filmado no ano seguinte a "Fúria de Viver" / "Rebel Without a Cause", de 1955,) e Vashti Snythe (Jane Withers, uma secundária com uma carreira fértil pré-Gigante e que pós-"Giant" quase desaparece do grande écran nas décadas seguintes, surgindo sobretudo na TV, mas também dando voz a diversos personagens dos famigerados "cartoons", assim como diversos filmes de animação). Este par apaixona-se e casa em segredo contra a vontade dos pais, sobretudo de Bick Benedict (Rock Hudson), que só no final aceita a nora e o neto (ainda estávamos longe do tão famigerado "melting-pot"), sobrevivendo a situações de cariz discriminatória a que a sua família é sujeita, sobretudo na grande festa final de apresentação do triunfo de Jett Rink (James Dean), repare-se na sequência do cabeleireiro.


George Stevens e James Dean 
durante a rodagem de "O Gigante" / "Giant".

Em “O Gigante” / “Giant” de George Stevens descobrimos com prazer o envelhecimento em beleza de Liz Taylor enquanto Leslie, quanto a Rock Hudson acho que aqui se prova (caso fosse necessário) o grande actor que foi e nunca é demais convidar a descobrirem as suas comédias com Doris Day e os fabulosos melodramas de Douglas Sirk, de que foi o maior protagonista. Já James Dean, esse actor de três filmes incontornáveis na História do Cinema, se a tragédia não se tivesse abatido sobre ele, certamente estaríamos face a uma figura tão enigmática na vida real como foi Marlon Brando. Depois temos as mais célebres imagens do actor, que quase sempre evocam este filme de George Stevens e, de todos os filmes que interpretou, este será sempre aquele em que ele nos oferece toda a sua magia como actor, já que vamos acompanhando a evolução da sua personagem, que da timidez passa à revolta, para mais tarde exercer todo o seu poder, de forma despótica, através desse dinheiro facultado pela descoberta do petróleo, esse ouro negro que tantas guerras tem provocado no mundo.


Rever "O Gigante" / “Giant” de George Stevens, nos dias de hoje, oferece-nos um daqueles prazeres que só o Cinema Clássico nos pode proporcionar. 

Sem comentários:

Enviar um comentário