terça-feira, 27 de dezembro de 2016

George Roy Hill – “A Rapariga do Tambor” / “The Little Drummer Girl”



George Roy Hill - "A Rapariga do Tambor" / "The Little Drummer Girl"
(EUA - 1984) – (130 min. / Cor)
Diane Keaton, Yorgo Voyagis, Klaus Kinsky, Samy Frey.

George Roy Hill é um daqueles cineastas que nunca conheceu a mediocridade nas suas películas. Embora não seja um autor, ele sempre conseguiu interligar a qualidade dos seus filmes com o êxito de bilheteira, tendo sido celebrizado pela crítica e pelo público em geral como o realizador de “A Golpada”/”The Sting” (1973), “Butch Cassidy and Sundance Kid” / “Dois Homens e Um Destino” (1969), ambos com a dupla Paul Newman/Robert Redford e esse admirável “Estranho Mundo de Garp” / “The World According to Garp”, (1982) adaptação ao cinema do célebre “best-seller” de John Irving, com um então desconhecido Robin Williams a vestir a pele do protagonista, o politicamente incorrecto Garp.


“A Rapariga do Tambor”/ ” The Little Drummer Girl”, baseado num romance de John Le Carré, mestre incontestado dos livros de espiões, basta recordar os célebres “A Gente de Smiley”, “O Espião Perfeito” ou “A Casa da Rússia”, aborda desta feita os Serviços Secretos Israelitas, duas décadas antes de Steven Spielberg dar a sua versão dos mesmos através desse perdedor de Oscars chamado “Munique” / “Munich”. George Roy Hill, tal como Steven Spielberg, fez a rodagem da película em diversos países europeus, mais concretamente, Alemanha, Inglaterra e Grécia, até chegar, inevitavelmente, a Israel.


O argumento situa-se, como não podia deixar de ser, na “guerra de espiões” entre os Serviços Secretos Israelitas e Membros da Causa Palestiniana, que actuavam na Europa em perfeita sintonia e colaboração com a então extrema-esquerda europeia que defendia a via armada, nas décadas de 60/70 do século passado.
O elemento base deste drama policial é uma actriz de teatro de nome Charlie (Diane Keaton), que, sendo defensora da causa palestiniana, acaba por colaborar com os serviços de espionagem do Estado Judaico na captura do perigoso Khalil, cuja identidade/rosto é desconhecida de todos, incluindo os seus próprios companheiros de armas e aqui a ficção quase se confunde com a realidade, bastando recordar o caso dessa “personagem” enigmática chamada Abu Nidal!


A teia construída à volta de Charlie (Diane Keaton, numa inesquecível interpretação, revelando todas as suas potencialidades como actriz dramática) é a rede do amor, quantos operacionais caíram nessa mesma rede ao longo do tempo (recordemos o caso de “Munique” e a morte de um dos agentes da Mossad), situando-se aqui a questão fulcral da película: a perda de identidade! Na verdade, quantas vidas, quantos rostos possuímos nós? Charlie (Diane Keaton) termina por perder os seus ideais e a sua identidade, mas no quotidiano há sempre alguém que lhe irá conceder o benefício da dúvida. “A Rapariga do Tambor” / “The Little Drummer Girl” não é só um filme destinado a todos os fans do escritor John Le Carré, mas também um magnífico retrato da história contemporânea.

2 comentários:

  1. Um livro fabuloso, que deu um filme fantástico!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Curiosamente um livro e um filme que neste novo século bem merecem serem descobertos.
      Beijinhos

      Eliminar