terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Bo Widerberg – “O Homem de Maiorca” / “Mannen Fran Mallorca”



Bo Widerberg – "O Homem de Maiorca" / "Mannen Fran Mallorca"
(SUE/NOR - 1984) – (106 min. / Cor)
Seven Wollter, Thomas Von Bromssen, Hakan Serner.

Quando se fala em cinema sueco, o primeiro nome que surge é sempre o de Ingmar Bergman e, no entanto, o cinema Sueco teve também a sua época áurea no período mudo, com nomes imortais, caso de Mauritz Stiller e Victor Sjostrom e se alguns se interrogam acerca deste último cineasta referido, diremos apenas que ele é o célebre professor de "Morangos Silvestres" / “Smultronstallet”, realizado por Ingmar Bergman, mas hoje o nosso objectivo é falar não de Bergman, mas sim de Bo Widerberg, cineasta contemporâneo Sueco, que nos deixou algumas obras inesquecíveis e cuja doença o levou para a constelação cinematográfica em 1 de Maio de 1997.


Bo Widerberg é um dos mais importantes cineastas suecos contemporâneos e iniciou-se no cinema através da crítica; quando passou à realização, o seu lirismo cinematográfico, bem patente em "Elvira Madigan" de 1967 (recordam-se da banda sonora?) ou "Joe Hill" de 1971, apresentava-se como a outra face da moeda, opondo-se evidentemente ao cinema psicanalítico de Ingmar Bergman.
Este antigo romancista filia-se no cinema de Mai Zetterling e Jan Troell. A sua obra "O Homem de Maiorca" / "Mannen fran Mallorca" possui o condão de dar continuidade a "Um Assassino no Telhado" / “Manner pa Taket” de 1976, sua obra anterior. Em ambos os filmes o que está em causa é a instituição policial mas, em "O Homem de Maiorca" / “Mannen fran Mallorca”, o fio da intriga vai mais longe, sendo os tentáculos do poder que são colocados na balança da vida e da morte.


Dois polícias (Sven Wollter e Tomas von Bromssen), ao investigarem um assalto a uma estação de correios, acabam por descobrir factos e nomes que "ameaçam" a segurança do Estado e, ao contrário do que é habitual no género, acabam por ser afastados do caso depois de as provas encontradas serem "contrariadas" e apagadas no tempo. "O Homem de Maiorca" / “Manner fran Mallorca” é, na realidade, um daqueles policiais acima de qualquer suspeita e que curiosamente possui uma actualidade que talvez incomode muito "bom poder" instituído por esse mundo fora, mas isto meus amigos já é outra história e estou precisamente a recordar-me de uma daquelas obras incómodas do canadiano Jean-Pierre Lefèvre ou a primeira película realizada por Tim Robbins. Para já procurem ver a obra cinematográfica de Bo Widerberg, porque ela bem merece na verdade ser procurada e revista.

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