segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Alfred Hitchcock – “A Casa Encantada” / “Spellbound”


Alfred Hitchcock – "A Casa Encantada" / "Spellbound"
(EUA – 1945) – (111 min. - P/B)
Ingrid Bergman, Gregory Peck, Michael Chekov, Leo G. Carroll.

“A Casa Encantada” / “Spellbound” foi um dos filmes mais rentáveis de toda a carreira de Alfred Hitchcock; recorde-se que foi feito logo a seguir ao final da Segunda Grande Guerra. Anteriormente o cineasta realizara em Inglaterra dois documentários sobre o denominado esforço de guerra dos aliados, “Aventure Malgache” e “Bon Voyage”, um género a que não regressaria, como todos sabemos.


A escolha dos protagonistas para esta película recaiu sobre a bela Ingrid Bergman e Gregory Peck, ambos no auge das suas carreiras, e mais uma vez temos o poderoso produtor David O Selznick a ter a última palavra. Dizemos isso porque a película aborda o tema da psicanálise e Alfred Hitchcock decidiu ter como colaborador na sequência do sonho o célebre Salvador Dali, esse sonho que irá abrir muitas portas para a bela Dra. Constance Peterson (Ingrid Bergman) compreender o passado recente de John Ballantine (Gregory Peck). A famosa sequência ficou célebre e tinha uma extensão de 25 minutos mas Selznick decidiu, por razões de economia narrativa, reduzi-la para os cinco minutos que hoje em dia são conhecidos.


“Spellbound” / “A Casa Encantada” conta-nos a história de John Ballantine (Gregory Peck), que um belo dia surge numa clínica assumindo a identidade do novo director, o Dr. Anthony Andrews, ficando desde logo fascinado pela beleza da fria Dra. Constance Peterson (Ingrid Bergman), que esconde de forma bem subterrânea os seus desejos de todos, como iremos assistir logo no início do filme, mas que irá sucumbir nos braços de John Ballantine, para grande espanto dos seus colegas incluindo o Dr. Murchinson, que vai deixar a clínica e reformar-se, sendo substituído por Anthony Andrews. Mas no dia em que Andrews é chamado para uma operação, termina por desmaiar perante o espanto de todos e será a partir daqui que Constance percebe que algo se passa na mente dele, porque já anteriormente num almoço ele tinha revelado sintomas estranhos ao olhar as linhas paralelas que ela tinha feito na toalha branca da mesa com o talher. E no dia em que ela decide comparar a assinatura dele com a existente num livro de sua autoria, percebe que ele não é quem afirma ser.


As razões que levam a médica a seguir John Ballantine (Gregory Peck), que entretanto foge da clínica deixando-lhe uma carta, revelam-se como o fruto dessa paixão que ela sente por ele e quando se encontram no hall do hotel em New York, já a polícia está no seu encalço. Temos aqui uma sequência muito digna do Mestre, entre o caçador de beldades, a médica e o detective do hotel, não faltando a célebre aparição do cineasta a sair do elevador ao lado de Gregory Peck.


Em “A Casa Encantada” / “Spellbound”, Ingrid Bergman é o espelho perfeito da beleza e quando partimos com o par rumo à cidade onde habita o antigo professor de Constance, uma personagem bem sábia e cujos traços físicos se aproximam bastante do célebre Sigmund Freud, percebemos que em breve iremos descobrir as razões da amnésia de John Ballantine.


E nada melhor como regressar ao local onde este esteve, na companhia do verdadeiro médico, situado numa estância de ski, sendo aqui que a verdade irá sair das profundezas da sua mente, para a luz da vida iluminar o amor para sempre. Iremos ter então a leitura do significado do sonho criado por Salvador Dali e saberemos então onde se esconde a verdade. Essa verdade e conhecimento que Constance Peterson (Ingrid Bergman) irá levar ao verdadeiro responsável pela morte do Dr. Anthony Andrews.


Na época da sua estreia, “Spellbound” / “A Casa Encantada” arrastou multidões de espectadores e devido ao tema tratado, a psicanálise (segundo alguns de forma bem ligeira), passou a andar nas “bocas do mundo”, levando-a para o interior da Sétima Arte que irá dar vida cinematográfica às célebres teorias de Sigmund Freud, aliás bem presentes logo no início da película com a sequência da ninfomaníaca.
“A Casa Encantada” / “Spellbound” permanece, nos dias de hoje, como uma das obras-primas da filmografia de Alfred Hitchcock.

4 comentários:

  1. Respostas
    1. Também é um dos nossos favoritos, o par Gregory Peck e Ingrid Bergman irradiam uma luminosidade única!
      Obrigado pela visita e comentário.
      Boa tarde!

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  2. É difícil escolher o meu Hitch favorito! Só um, o preferidoé praticamente impossível! Mas este está no top 5 ;-)

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    1. Concordo em absoluto, porque eleger um filme favorito do Mestre Hitchcock é na verdade uma tarefa impossível de alcançar:)
      Beijinhos

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