terça-feira, 8 de novembro de 2016

Vincente Minnelli – “Brigadoon: A Lenda dos Beijos Perdidos” / “Brigadoon”


Vincente Minnelli – "Brigadoon: A Lenda dos Beijos Perdidos" / "Brigadoon"
(EUA – 1954) – (108 min. / Cor)
Gene Kelly, Cyd Charisse, Van Johnson, Elaine Stewart.

“Brigadoon: A Lenda dos Beijos Perdidos” é um daqueles musicais que vistos uma vez nunca mais se esquecem. O seu autor é Vincente Minnelli, o “homem” de “Um Americano em Paris” / “An American in Paris”. Mas desta vez Minnelli partiu para a feitura do filme em confronto com Gene Kelly que, para além de protagonista, assinou todas as coreografias, ou seja a importância de Kelly na película é enorme e mais seria se ele e Minnelli estivessem de acordo com a forma como iriam adaptar esse grande êxito da Broadway ao Cinema. O cineasta queria realizar o filme que vimos na tela totalmente em Estúdio e onde o onirismo é bem patente, chegando até a usar o "Anscocolor" em detrimento do "Technicolor", para acentuar o efeito das brumas. Já Gene Kelly pretendia um filme cheio de luz, onde o verde fosse preponderante e acima de tudo rodado em cenários naturais, se possível na Escócia, caso não encontrassem esse país em território americano.


Vincent Minnelli estava no seu apogeu, fez da sua vontade lei e “Brigadoon: A Lenda dos Beijos Perdidos” terminou por ocupar um dos maiores "sets" dos Estúdios. Nasceu assim, em pleno conflito criativo, um dos mais belos musicais de sempre e dizemos isto porque Gene Kelly e Vincente Minnelli não voltaram a fazer as pazes, tal como uma outra célebre zanga entre actor e cineasta, desta feita protagonizada entre John Ford e Henry Fonda, cuja amizade não sobreviveu após a rodagem de “Mr. Roberts”. Mas regressemos a esta lenda dos beijos perdidos, beijos até por sinal muito escassos, mas tão belos que somos obrigados a acordar do sonho. Esse mesmo sonho em que os habitantes de “Brigadoon” vivem desde 1754, quando a sua aldeia foi mergulhada nas brumas, para se salvar das feiticeiras que iriam destruir a vida dos seus habitantes. Assim, uma vez em cada século e pelo espaço de um dia, todos voltariam à sua vida e a aldeia que não constava no mapa dos caçadores Tommy (Gene Kelly) e Jeff (Van Johnson) nasceu por um dia para os seus habitantes desfrutarem do amor da vida.


Perdidos em terras escocesas, Tommy e Jeff descobrem essa aldeia escondida no tempo e encontram nela uma alegria de viver até então totalmente desconhecida para eles. Lentamente as vozes de “Brigadoon” fazem-se escutar e assim vamos descobrindo os seus habitantes, até que somos forçados a parar perante a beleza de Fiona, uma Cyd Charisse a confirmar mais uma vez todo o seu talento e com ela vão nascendo as diversas coreografias de encantar de Gene Kelly.

Os intrusos são recebidos com receio mas Fiona (Cyd Charisse) acaba por os introduzir na alegria de “Brigadoon”, quando até naquele dia se realiza o casamento da sua irmã mais nova. Como nestas histórias de casa não casa descasa, há sempre alguém a perder e neste caso o perdedor decide quebrar o encanto de “Brigadoon” atravessando a ponte proibida, mergulhando desta forma a aldeia nas brumas e no silêncio para sempre.


Tommy e Jeff acabam por descobrir o segredo tão bem guardado de “Brigadoon” e regressam com ele a Nova Iorque, porém a alma gémea encontrada por Tommy está longe nas montanhas da Escócia e ele não pode esperar 100 anos para reencontrar Fiona, que não lhe sai do pensamento. Decide então regressar com o eterno companheiro ao “local da lenda”, “Brigadoon” de seu nome, para assim o contemplar mais uma vez através das brumas, embora ele não esteja lá. Assim terminaria o filme, mas estamos em Hollywood ainda no apogeu e o amor de Tommy e Fiona é tão grande que o happy-end tem forçosamente que existir, assim sendo o seu amor quebra o feitiço de “Brigadoon” apenas para um habitante e esse habitante só pode ser Fiona que corre na sua direcção, amando perdidamente o milagre nascido através do amor eterno criado por Tommy Albright. 

“Brigadoon: A Lenda dos Beijos Perdidos” é uma obra-prima do musical e do cinema, que merece ser (re)descoberta, assinada por um dos grandes génios da Sétima Arte, numa época em que eles eram muitos!

2 comentários:

  1. Um musical que apetece rever vezes sem conta!

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    1. Concordo em absoluto! Um musical repleto de Magia no verdadeiro sentido da palavra e cinematográficamente falando.

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