quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Raoul Walsh – “Mulher Rebelde” / “The Revolt of Mamie Stover”


Raoul Walsh –  "Mulher Rebelde" / "The Revolt of Mamie Stover"
(EUA – 1956) – (93 min. / Cor)
Jane Russell, Richard Egan, Joan Leslie, Agnes Moorehead, Michael Pate, Richard Coogan.

Raoul Walsh iniciou a sua relação com a Sétima Arte ainda no período mudo do cinema, primeiro como actor e depois como realizador, abordando os mais diversos géneros cinematográficos. Quando em 1956 Raoul Walsh nos ofereceu “Mulher Rebelde” / “The Revolt of Mamie Stover”, já dominava como ninguém o formato “scope” e ao revermos esta película verificamos desde logo esse dado. Por outro lado, a presença da bela Jane Russell a encabeçar o elenco afigura-se de imediato como o ponto charneira por onde irão passar todas as premissas do filme.

Raoul Walsh

Logo a abrir iremos encontrá-la num cais de embarque em San Francisco, acompanhada por um polícia que só a larga de vista após ela embarcar no navio rumo ao Hawai, sendo bem visível que aquela mulher atrai a desgraça e devora os homens que lhe caiem nas mãos.
Durante a viagem irá cruzar-se com o escritor Jim Blair (Richard Egan), que sabendo o género de mulher que ela é sente um profundo fascínio, apesar de ter no Hawai a sua namorada Annalee Johnson (Joan Leslie) à sua espera, vendo na história de Mamie Stover um excelente tema para um livro de ficção, embora não o consiga levar a bom porto porque o desejo lhe irá consumir a genialidade.


O destino de Mamie Stover (Jane Russell) não podia ser outro senão um bar sofisticado e com regras rigorosas, implantadas pela sua proprietária Bertha Pachman (Agnes Moorehead), para fugir ao fisco e impedir que as raparigas tenham encontros fora da casa onde vivem. Quem furar as regras será punida pelo violento Harry Adkins (Michael Pate), o seu homem de mão.
Como iremos ver ao longo da película, Raoul Walsh filma Jane Russell oferecendo-nos essa carnalidade absoluta, que contribuiu decididamente para o sucesso da actriz no cinema, usando até de forma genial os vestidos que ela usa para salientar ainda mais o seu poder de atracção fatal, que irá levar Jim Blair (Richard Egan) a apaixonar-se por ela, apesar de Mamie Stover permanecer na mesma vida de perdição.


Porém, esse cenário idílico que representa o Hawai irá ser alterado com o ataque japonês a Pearl Harbour, espalhando o terror e a morte, o que irá levar o escritor a alistar-se no exército, enquanto Mamie Stover decide investir o dinheiro ganho até então na compra de imóveis, revelando-se uma excelente especuladora, que rapidamente começa a fazer fortuna, embora continue a trabalhar no mesmo bar, já como sócia e continuando a ser a principal atracção das tropas que invadem o local.
Ao ver partir para a guerra o seu amado, Mamie Stover promete-lhe que vai deixar aquela vida de perdição e irá esperar por ele. Mas o dinheiro e o desejo de ascensão social falarão mais alto e ela não irá cumprir a promessa.


“Mulher Rebelde” / “The Revolt of Mamie Stover” possui em Jane Russell o seu principal alicerce ou não fosse ela, nesses anos cinquenta, um nome que fazia encher as plateias, por outro lado Raoul Walsh consegue oferecer-nos toda a sua arte ao utilizar o “scope” de forma soberba, a par de um “Technicolor” deslumbrante, narrando-nos a ascensão e queda de uma mulher indesejável na grande cidade, ao mesmo tempo que nos oferece imagens do ataque japonês a Pearl Harbour verdadeiramente inesquecíveis.

“The Revolt of Mamie Stover” / “Mulher Rebelade” oferece-nos uma Jane Russell em todo o seu esplendor, devido ao trabalho desse grande cineasta chamado Raoul Walsh, hoje em dia, infelizmente, um pouco esquecido.

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