segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Otto Preminger – “Laura”


Otto Preminger– "Laura"
(EUA – 1944) - (88 min. - P/B)
Dana Andrews, Gene Tierney, Clifton Webb, Vincent Price.

“Laura”, de Otto Preminger (que até nem foi o primeiro realizador indigitado para este filme da Fox), oferece-nos Gene Tierney em todo o seu esplendor e, no entanto, só a iremos conhecer através dos olhos do inspector Mark McPherson (Dana Andrews) quando ele, ao entrar na casa da vítima para investigar as causas da morte da jovem publicitária, depara com o seu retrato, num quadro pendurado na parede. A beleza da imagem cativa de imediato o detective, que começa a cultivar uma certa necrofilia por aquela bela mulher.



O Mestre Austríaco, antigo aluno de Max Reinhardt, que substituíra Rouben Mamoulian neste projecto, debruça-se sobre este policial, baseado no livro de Vera Caspary, com um saber que nos deixa a todos perfeitamente agarrados à cadeira, do primeiro ao último minuto.
Lentamente iremos sabendo a história da vida da jovem pelo seu círculo de amigos, desde o snob Waldo Lydecker (Clifton Webb), que considera Laura uma sua protegida, passando pelo seu namorado, Shelby Carpenter (Vincent Price, compondo uma personagem de forma suprema) charmoso e elegante, até Ann (Judith Anderson) essa “amiga” e confidente que todas as mulheres gostam de ter.
Com o passar do tempo McPherson (Dana Andrews) fica cada vez mais interessado em conhecer o passado da vítima, porque a paixão que nutre por ela começa a invadir-lhe a alma, até chegar esse momento fulcral do filme, em que vemos Laura (Gene Tierney) a entrar bem viva em sua casa. O espanto do detective é grande, mas o do assassino não será maior.


Otto Preminger mergulha-nos no interior da “high-society” norte-americana, oferecendo-nos um retrato mordaz e requintado, ao mesmo tempo que todos percebemos como McPherson se sente cada vez mais impotente em resolver o caso. Afinal a vítima é uma jovem modelo, em busca da fama na grande metrópole, extremamente parecida com Laura, que se encontrava no local errado à hora errada, para mal dos seus pecados.
Com o regresso de Laura ao mundo dos vivos, iremos acompanhar a paixão possessiva e louca de Waldo Lydecker, esse “anjo protector” que se julga superior a tudo e todos e que nunca deixa passar uma oportunidade para demonstrar isso mesmo.
O ambiente do “film noir” respira por todos os fotogramas em “Laura”, embora sempre com uma elegância e um saber dignos de nota.


Na noite em que vemos McPherson a interrogar Laura, não por suspeitar dela, mas para iludir o assassino, percebemos que este irá agir em breve, julgando que a sua superioridade intelectual e a paixão mórbida que nutre por ela lhe dão direito a matar a obra criada, porque para ele Laura é uma criação sua, a quem mais ninguém terá direito de amar.
O ambiente do “film noir” respira por todos os fotogramas ao longo do filme, sempre com um saber e uma elegância a que não é alheia a magia da direcção de Otto Preminger, que fez de “Laura” uma das pérolas da sua filmografia e uma obra-prima do denominado “film-noir”!

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