quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Jurgen Theobaldy – “Ida ao Cinema”


O poeta e escritor alemão Juren Theobaldy nasceu em Estrasburgo, a 7 de Março de 1944, de origens modestas, tendo crescido em Mannheim e estudado Literatura em Heidelberg e Colónia, e desde muito cedo se sentiu ligado a esse movimento das letras surgido na Alemanha na década de sessenta, do século xx, em que o experimentalismo poético, aliado à simplicidade das palavras deu origem à denominada poesia do quotidiano. Mais tarde irá trocar a Alemanha pela Suíça, onde vive actualmente, tendo publicado ao longo dos anos mais de duas dezenas de livros, tanto de poesia como de prosa, onde a simplicidade da sua escrita é uma constante. Aqui deixamos esse belo poema intitulado “Ida ao Cinema”, publicado em Portugal na colectânea de poesia “O Bosque Sagrado – A Poesia e o Cinema”, editado pela Gota d’Água e sobre o qual já aqui falámos.


Ida ao Cinema

"Quando era miúdo ía muito / ao cinema, todos os domingos às duas / havia uma “sessão juvenil” / no “Capitólio” com aquele relógio / ao lado do écran, e nós berrávamos / panteávamos e assobiávamos quando / o ponteiro saltava para as duas e um e / a fita ainda não tinha começado. Depois /  quis ser crescido e fui / um sábado à sessão dos adultos, / embora ainda não tivesse feito os dezasseis. / Nesse filme vi a Rita Hayworth / na tina de banho, depois de o Gary Cooper / a ter salvo de um bando de índios / malucos. Gostava de a ter visto / nua, mas não lhe vi mais que / uma faixa do soutien. / No domingo seguinte voltei / à “sessão juvenil”, e às duas e um / lá estava eu a berrar, a patear, / e a assobiar, porque a fita / ainda não tinha começado".

Jurgen Theobaldy

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