domingo, 13 de novembro de 2016

George Pan Cosmatos – “Cobra – O Braço Forte da Lei” / “Cobra”


George Pan Cosmatos - "Cobra - O Braço Forte da Lei" / "Cobra"
(EUA – 1986) – (87min. / Cor)
Sylvester Stallone, Brigitte Nielsen, Reni Santori.

Não se assustem com a imagem acima, é verdade, trata-se de Sylvester Stallone e de um dos piores filmes da história do cinema, certamente a pior película alguma vez interpretada pelo actor, embora isso não seja razão para não falarmos deles, a película não o merece, já o actor porque não falar do homem que um dia bateu à porta de Woody Allen em busca de emprego, assustando o cineasta, mas que depois teve o seu baptismo de fogo em “Bananas”, na célebre sequência do metropolitano em que tenta assaltar Woody Allen, na época nem sequer teve direito a ser creditado no genérico, depois continuou a fazer figuração, quem se lembra dele a dançar numa boite em “Klute”? E de casos destes está cheio o cinema, recordam-se de Morgan Freeman e Danny Glover a fazerem figuração em “O Rio” / “The River” de Mark Rydell, o primeiro filme que Mel Gibson rodou nos Estados Unidos da América.


Depois Sylvester Stallone decidiu partir para a escrita e nasceu “Rocky”, com o sucesso que todos sabemos, com Oscars e tudo à mistura e muitas vezes perguntamos se Sylvester Stallone é um bom actor, já que tudo depende das opções do próprio actor ao longo da carreira e dos cineastas escolhidos, repare-se no seu trabalho nesse filme de polícias intitulado “Cop Land” e somos surpreendidos pela sua excelente interpretação ou, se voltarmos atrás nos anos, teremos sempre “F.I.S.T.” de Norman Jewinson. Aliás em "A Fúria do Herói" / "First Blood", ele dá muito bem conta do recado, embora com o passar dos anos tenha ficado prisioneiro da personagem de "Rambo", tal como ficaria da de "Rocky", embora aqui a história seja outra ou o caso mais recente de “Os Mercenários”, uma inesquecível homenagem aos heróis/actores dos filmes de acção, feita com enorme saber. O problema do actor, aliás já reconhecido por ele numa entrevista, foram as más opções de uma carreira e “Cobra – O Braço Armado da Lei” é o seu melhor exemplo e essa a razão de hoje falarmos nesta película realizada pelo grego George Pan Cosmatos, cuja únicas obras dignas de nota na sua filmografia são “Cassandra Crossing” e “Tombstone”, embora não nos possamos esquecer que foi o próprio Stallone o responsável pelo argumento de “Cobra”.


Chegamos assim a esta película que pretende demonstrar que ninguém está a salvo nas ruas e só a lei de Marion Cobrett (Sylvester Stallone) sabe lidar com os gangs que assolam Los Angeles, sempre de óculos escuros, acompanhado pelo seu blusão de cabedal e o inefável palito no canto da boca, ele consegue resolver brutalmente os casos mais complicados, repare-se na sequência inicial no supermercado quando ele enfrenta o assaltante, chamando-lhe doença, sendo ele a sua cura, temos então a habitual brutalidade do tenente, única forma de “lidar” com a delinquência. Mas os métodos de Cobra não são bem vistos pelos seus superiores, até ao momento em que um gang de psicopatas intitulado “Night Slasher” começa a matar mulheres na cidade de Los Angeles e só ele lhes poderá fazer frente. Nasce então a personagem de Brigitte Nielsen, na época mulher de Sylvester Stallone, a interpretar uma modelo de nome Ingrid Knutsen, que por acaso é testemunha ocular de uma das acções do gang. A partir deste momento os dados estão lançados e George Pan Cosmatos, um realizador que um dia disse “faço filmes americanos com sensibilidade europeia”, não olha a meios para desmentir esta afirmação, introduzindo a violência mais gratuita da história do cinema.


A razão que nos levou a falar deste filme é simplesmente o facto de ele ser a demonstração plena de um género cinematográfico que sempre proliferou no cinema, sendo o exemplo perfeito das apostas erradas do actor, que em tempos correu do lado errado da fama, apesar de na época da sua estreia ter enchido salas no nosso país, recordo-me de ter visto o filme numa sala esgotada, com um público excitado com as imagens passadas no écran, “Cobra” até dava um curioso estudo sociológico, no sentido de cativar a violência das audiências, já quanto ao seu valor cinematográfico ele é perfeitamente nulo.

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