sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Billy Wilder – “Cinco Covas no Egipto” / “Five Graves to Cairo”



Billy Wilder – "Cinco Covas no Egipto" / "Five Graves to Cairo"
(EUA – 1943) – (96 min. - P/B)
Franchot Tone, Anne Baxter, Eric Von Stroheim, Akim Tamiroff, Peter Von Eyck.

Billy Wilder é um nome conhecido de qualquer cinéfilo e são inúmeros os filmes que qualquer um de nós cita de imediato como um dos seus favoritos, no entanto as suas obras iniciais permanecem um pouco desconhecidas, como sucede com este “Cinco Covas no Egipto” / “Five Graves to Cairo”, já editado em dvd.

Billy Wilder

“Five Graves to Cairo” / “Cinco Covas no Egipto” foi o segundo filme de Billy Wilder realizado em terras americanas, recorde-se que ele foi o argumentista dessa obra fulcral do cinema germânico intitulada “Menschen am Sonntag” e sendo Billy Wilder austríaco, trabalhou na UFA até 1933, partindo da Alemanha após a chegada de Hitler ao poder, permanecendo em território francês durante cerca de um ano (onde realizou “Mauvaise Graine”, o seu baptismo atrás da câmara), partindo de seguida para os Estados Unidos onde Peter Lorre, o actor de “M” / “M – Matou”de Fritz Lang, foi um bom amigo.


Em 1942, quando toda a gente pensava que a conquista do Cairo por Rommel estaria por semanas, após a sua vitória em Tobruck, os aliados através do general britânico Montgomery iriam, em El Alemain, derrotar pela primeira vez a célebre “raposa do deserto”. E como durante estes anos o cinema teve sempre uma palavra a dizer no esforço da guerra, basta recordar essa séria fabulosa de Frank Capra “Why We Fight”, os Estúdios americanos empenharam-se a fundo nesse trabalho e a Paramount encomendou a Billy Wilder um filme sobre a derrota de Rommel, corria então o ano de 1943, faltando ainda dois anos para terminar a Segunda Guerra Mundial.


No início do filme encontramos um tanque desgovernado a andar pelas areias do deserto, estando todos os seus ocupantes mortos, excepto o major John Bramble (Franchot Tone), que é “cuspido” para fora do tanque caindo nas areias escaldantes do deserto, tudo parece perdido para ele, mas quando menos espera encontra uma estrada que o irá levar até ao hotel de Farid (Akim Tamiroff), que servira de quartel-general das tropas britânicas derrotadas em Tobruck, onde é recolhido por Farif e Mouche (Anne Baxter), uma francesa que odeia os ingleses por eles os terem abandonado no início do conflito, com a trágica “fuga” em Dunquerque. Mas, pouco depois de o Major chegar ao hotel, surgem as tropas alemãs que decidem montar o seu Estado-Maior naquele local, onde irá permanecer Rommel (Erich Von Stroheim) na sua caminhada “vitoriosa”. Para não ser preso pelos alemães, o major Bramble irá assumir a identidade de um empregado do hotel que morrera após um dos muitos bombardeamentos alemães, desconhecendo que ele era um espião alemão.


Curiosamente, a forma como nos é apresentado Rommel por Billy Wilder é bastante diferente daquela que se poderia pensar inicialmente, já que estamos em plena guerra, sendo este trabalho um produto inevitável de propaganda, mas o cineasta sempre foi um homem que respirou cinema por todos os poros e daí a forma como ele decidiu apresentar os seus personagens. Ali existem dois exércitos em confronto e é essa história que ele nos vai contar. Aliás, Rommel sempre teve grandes actores a interpretar a sua figura, Erich Von Stroheim aqui e mais tarde James Mason no famoso “Patton”. Mas neste filme também existe uma história de amor e ódio na figura de Anne Baxter (recordam-se dela na “Eve” / “Eva” de Joseph L. Mankiewicz), que só pretende recuperar o irmão preso num campo de concentração alemão, daí a relação que ela estabelece com o tenente Schweger (Peter Von Eyck, excelente), ao mesmo tempo que odeia o major Bramble. Mas nem sempre as coisas são o que parecem e no final tudo será diferente após se descobrir o segredo das cinco covas do Egipto.
Oferecendo-nos já todo o seu saber, Billy Wilder constrói um filme que, situando-se ao longo do tempo quase sempre no mesmo décor, nos prende à cadeira até ao último minuto, revelando-se a direcção de actores um dos seus pontos fortes, onde Erich Von Stroheim e Anne Baxter se destacam. Um filme bem interessante, que merece ser (re)descoberto.

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