quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Artur Semedo – “O Barão de Altamira”


Artur Semedo - "O Barão de Altamira"
(PORTUGAL - 1986) – (117 min. / Cor)
Artur Semedo, Nicolau Breyner, Rosa Lobato Faria, Sílvia Rato.

Muitos de nós ainda nos lembramos de Artur Semedo no único “épico” do cinema Português, o célebre “Chaimite” realizado por Jorge Brum do Canto, depois naquele filme “choque” das boas consciências assinado por Eduardo Geada e intitulada “Sofia e a Educação Sexual”, nesse ano já distante de 1973,  que apresentava os primeiros sinais de nudez no interior do então Novo Cinema Português.


Actor, produtor e realizador, Artur Semedo foi de certa forma o homem dos sete instrumentos, como diria o Sérgio Godinho, quem se recorda hoje em dia do actor/realizador de “O Dinheiro dos Pobres”(1956) ou de “Malteses, Burgueses e às Vezes”(1973), ou das 43 películas em que participou com actor, para já não falar nas séries de televisão, mas falemos de “O Barão de Altamira” (1985) e essa outra forma de fazer comédia à portuguesa.
“O Barão de Altamira” trata da reconquista da “Praça-forte” de Olivença (ainda hoje sobrevivem na fronteira uns tais amigos de Olivença que, sempre que podem, tentam incomodar os “nuestros hermanos”), aliás toda a história da película vive nos bastidores da golpada para reconquistar esse pedaço de terra, que em tempos pertenceu a Portugal.


Com um humor muito próprio e tendo em Artur Semedo o “one man show”, esta película não trata da reconquista de Lisboa aos mouros, mas sim de Olivença aos espanhóis. O filme roda à volta de Artur Semedo e algumas das sequências são extremamente bem conseguidas, embora por vezes se note a falta de uma certa continuidade.
Tendo em conta “O Rei das Berlengas” (filme anterior que contava a história do reino das Berlengas, cuja fundação, muito anterior à de Portugal, contou com a presença de Asterix e Obélix, entre outros nobres guerreiros), confirmou-se o mesmo tipo de humor, comentando desta vez, de uma forma mordaz, o rolar da história contemporânea, neste país à beira mar plantado.
“O Barão de Altamira”, tal como a restante obra cinematográfica de Artur Semedo abriu caminhos no interior da comédia, que bem merecem ser recordados.

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