segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Anne Fontaine – “Coco Avant Chanel”


Anne Fontaine - "Coco Avant Chanel"
 (FRA – 2009) – (105 min/Cor)
Audrey Tautou, Benoit Polvoordes, Alessandro Nivola, Marie Gillain, Emmanuelle Devos.

Anne Fontaine, antiga actriz e argumentista que se tornaria realizadora, tem-nos oferecido obras em que o elemento feminino é preponderante, revelando-se uma cineasta de mulheres, mas ao decidir levar ao cinema a vida de Coco Chanel, a mais célebre figura do mundo da moda, num universo em que os homens imperam abandona, de certa forma, as histórias do quotidiano, para nos oferecer uma espécie de biografia de Coco Chanel, convidando para protagonista Audrey Tautou.


Baseando-se no livro de Edmonde Charles-Roux, a realizadora/argumentista narra-nos de início o período passado por Coco no orfanato, na companhia da irmã Adrienne. Recorde-se que ambas foram lá deixadas pelo pai, após a morte da mãe e de imediato iremos perceber como Coco sente a falta do progenitor, esperando sempre que ele a visite, o que nunca irá acontecer porque ele, após as deixar no orfanato, parte para os Estados Unidos da América, para nunca mais voltar.


Iremos mais tarde descobrir as duas irmãs já adultas, a trabalhar num cabaret durante a noite, onde um dos números é a célebre canção “Coco”, que fará as delícias do milionário Etiene Balsan (Benoit Poelvoordes, numa excelente composição), que não hesitará em convidar as duas raparigas para a sua mesa, estabelecendo-se de imediato uma relação com Coco, já que este percebe que ela é bem diferente das outras raparigas.
Após serem despedidas do cabaret, as duas irmãs irão seguir caminhos diferentes. Enquanto Adrienne Chanel (Marie Gillain) se apaixona por um barão, com quem irá viver, apesar da família deste ser contra a relação conseguindo adiar eternamente o seu casamento, já Coco Chanel, que durante o dia trabalha como costureira, decide procurar o homem que a fez sonhar.

Audrey Tautou e Coco Chanel

No entanto, ao longo da sua estadia na mansão de Balsan, irá perceber que as mulheres para ele são apenas simples bonecas para serem usadas, tornando-se ela mesma numa espécie de acessório, que ele gosta de exibir nas festas. Lentamente Coco começa a fazer as suas próprias roupas, bem diferentes das usadas pelas outras mulheres, iniciando também a feitura dos seus próprios chapéus, bem distantes dos usados nesses anos e que irão revolucionar uma época. E apesar do amor ser até então uma simples miragem para a jovem Coco, no dia em que conhece o belo e sedutor Arthur “Boy” Capel (Alessandro Nivola), um amigo do seu anfitrião, ele transforma-se em realidade e ela rapidamente se apaixona por ele, desconhecendo que o galante jovem se irá casar em breve com uma mulher da alta sociedade inglesa, encetando uma relação amorosa com Boy, que a irá marcar para sempre.


Anne Fontaine aponta assim as suas baterias para este período da vida de Coco Chanel, em detrimento da luta travada por ela para impor o seu estilo no universo da moda, onde então o sexo masculino dava cartas e era dominante. Na realidade, a realizadora oferece-nos uma história de amor protagonizada por Coco Chanel, prolongando as sequências em demasia, como a festa na Mansão ou o passeio até ao oceano, onde a fotografia se perde em efeitos de bilhete-postal, quando deveria ter optado por nos dar um retrato psicológico da mais célebre costureira do mundo da moda de todos os tempos, o que foi pena. Por outro lado, é notória a ausência dos meios necessários para Anne Fontaine se abalançar num filme de grande orçamento. Termina a película com uma passagem de modelos, em que vemos as mais célebres criações de Coco Chanel (Audrey Tautou vestindo o famoso casaco criado pela estilista), que nos é oferecido sem qualquer rasgo de génio, optando Anne Fontaine por um falso intimismo que não consegue levar o espectador ao patamar ambicionado, por uma película que tanto prometia e que, infelizmente, termina por se revelar uma "love story" de uma trágica monotonia, que se esquece com facilidade.

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