domingo, 27 de novembro de 2016

Alan Bates – (1934 – 2003)


A memória cinéfila é algo que fui adquirindo desde o momento em que entrei numa sala de cinema, mas por vezes também ela possui algumas lacunas, como por exemplo a tristeza que tenho de não me recordar do primeiro filme que vi num Templo da Sétima Arte, recordo-me de muitos outros afluentes cinematográficos, mas desse enorme oceano que me deu a conhecer o Cinema, não lhe conheço o nome. Mas tenho outras belas recordações e uma delas é a película “Longe da Multidão” / “Far From the Madding Crowd”, realizada por John Schlesinger em 1967 e que descobri fascinado no cinema Monumental. É claro que tenho de confessar que aos nove anos me apaixonei pela Julie Christie, ao vê-la neste filme e desejei ser essa personagem chamada Gabriel Oak, ou seja Alan Bates. Revi este filme por diversas vezes ao fazer a travessia da infância para a adolescência e assim fui descobrindo que a película se baseia no famoso livro de Thomas Hardy e que John Schlesinger é um dos nomes incontornáveis do Free Cinema Britânico e, claro, fixei os nomes dos actores, Julie Christie, Alan Bates, Terence Stamp, Peter Finch.


Hoje a minha memória decidiu falar um pouco desse extraordinário actor chamado Alan Bates, que irá iniciar a carreira no Teatro com a sua voz inconfundível e numa peça que se tornou célebre, da autoria de John Osborne, intitulada “Look Back in Anger”, seguindo-se depois o sempre convidativo caminho pelos clássicos: Shakespeare, Tchekov, Ibsen, Strindberg entre outros, ao mesmo tempo que estabelece laços de amizade com outros actores da mesma geração e que trilhavam os mesmos caminhos, como Richard Burton, Tom Courtney, Albert Finney e Peter O’Toole. E assim foi com naturalidade que Alan Bates entrou pela porta grande do cinema para deixar a sua marca inconfundível em filmes como “O Mensageiro” / “The Go-Between” de Joseph Losey, “Mulheres Apaixonadas” / “Women in Love” de Ken Russell (baseado no célebre romance de D.H. Lawrence”), “Zorba, o Grego” / “Alexis Zorbas” de Michael Cacoyannis, “O Regresso do Soldado” / “The Return of the Soldier” de Alan Bridges, “Dueto só para Um” / “Duet for One” de Andrei Konchalovsky, em que contracena ao lado de Julie Andrews, terminando a sua carreira por se dividir entre os palcos de Teatro, que nunca abandonou por completo, a Televisão e o Cinema, onde nos ofereceu interpretações inesquecíveis.

"Longe da Multidão" / "Far From The Madding Crowd"

Os anos noventa, séc.xx, foram muito penosos para Alan Bates, em virtude de ter perdido a esposa e um dos filhos. Em 2002 recebeu o Tony (equivalente ao Oscar no Teatro) pela sua memorável interpretação na peça “Fortune’s Foll” de Turgenev. A última vez que me “cruzei” com ele numa sala de cinema foi nesse fabuloso filme de Robert Altman intitulado “Gosford Park”, que não me canso de rever, mas se me perguntarem  qual o meu filme favorito interpretado por esse talentoso actor chamado Alan Bates, direi simplesmente que é “Longe da Multidão” / “Far From the Madding Crowd”!

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