terça-feira, 22 de novembro de 2016

Agatha Christie – “Hercule Poirot – A Aventura do Bolo de Natal” / "The Adventure of the Christmas Puding"


Agatha Christie 
"Hercule Poirot - A Aventura do Bolo de Natal"
Editor: Edições Asa - Pag.  234

Quando se fala da obra de Agatha Christie, possivelmente a mais famosa escritora de romances policiais, de imediato nos vem à memória a mais célebre personagem por ela criada: o detective belga Hercule Poirot.
Este homenzinho, como ela lhe gosta de chamar, sempre com as suas célulazinhas cinzentas a trabalhar em perfeita harmonia com os crimes, possui uma inteligência que deixa sempre de rastos o seu bom amigo Capitão Arthur Hastings, ao mesmo tempo que consegue surpreender, sempre e mais uma vez, o bom Inspector Chefe James Japp.
Antigo chefe da polícia belga, Hercule Poirot foi obrigado a procurar refúgio em Inglaterra após estalar a Primeira Grande Guerra, tendo por lá ficado, embora nunca venha a travar uma sólida amizade com a cozinha britânica, porque este homem de sabor requintado nunca irá mergulhar o seu paladar na comida bárbara daquelas ilhas.

A jovem Agatha Christie

Ao longo dos anos, Agatha Christie deliciou o mundo da literatura com as investigações de Hercule Poirot, um verdadeiro gentleman, com esse sorriso simpático, que lhe faz sobressair o célebre bigode, sempre devidamente cuidado. Depois sabemos que ele é o homem do método dedutivo e da simetria, com as suas célebres reuniões com os principais suspeitos, para revelar com “pompa e circunstância” a identidade do assassino.

Mas também nunca nos poderemos esquecer dessas duas personagens que tudo fazem para que o mundo de Poirot seja perfeito, no interior de sua casa: George, o mordomo que possui o verdadeiro sentido da palavra, ao contrário do capitão Hastings; Miss Lemon, a fiel secretária, que possui uma paciência de santa para levar a bom porto os desejos de Hercule Poirot, especialmente quando ele repara que os colarinhos das suas camisas, continuam a não ser devidamente engomados, por muitos esforços que Miss Felicity Lemon faça, na sua linguagem gestual, com o chinês da lavandaria, que não percebe uma palavra de inglês.


As novelas e contos de Agatha Christie, com Hercule Poirot no protagonista, encontraram na televisão, em David Suchet, o actor mais-que-perfeito para encarnar o célebre detective e como todos estamos recordados foi um longo e duro trabalho do célebre actor britânico, na composição do famoso detective, que se estendeu de 1989 a 2008, sempre acompanhado pelos fiéis capitão Hastings (Hugh Fraser) e Miss Lemon (Pauline Moran), para além do Inspector Chefe Japp (Philip Jackson).


A produção da BBC foi sempre feita com grande cuidado e o mais curioso é a forma como Clive Exton, o mais importante de todos os argumentistas da série, conseguiu introduzir este trio em quase todas as histórias de que Hercule Poirot é protagonista já que eles, muitas vezes, não surgem nos livros escritos por Agatha Christie.
No cinema tivemos um Albert Finney espantoso na pele de Poirot, no famoso “Crime no Expresso do Oriente”, enquanto o excelente Peter Ustinov nunca nos conseguiu seduzir nos filmes em que interpretou o célebre detective belga, que todos pensam ser francês, para muita irritação de Poirot.

O sempre brilhante David Suchet!

Agatha Christie refere-se a “A Aventura do Bolo de Natal” como uma extravagância pessoal, que lhe fazia recordar com muito prazer os Natais da sua juventude e, quando lemos este conto fabuloso, ficamos verdadeiramente deliciados pela forma como ele nos surge, totalmente diferente das habituais abordagens que a escritora fazia nos contos protagonizados por Poirot. Aqui, ao terminarmos a leitura do primeiro capítulo, descobrimos que permanecemos na escuridão, apesar do encontro de que somos testemunhas em casa de Hercule Poirot. Depois partimos com ele para essa Mansão onde se comemora essa maravilhosa festividade que é o Natal, para então irmos caindo de surpresa em surpresa. E neste fabuloso conto, publicado pela primeira vez na Grã-Bretanha em 1960, temos o imperturbável e fiel George, a acompanhar Monsieur Hercule Poirot.

«A cena revelava efectivamente algum dramatismo, Bridget estava caída na neve a alguns metros de distância. Estava com um pijama escarlate e um agasalho de lã branco à volta dos ombros. O agasalho estava manchado de vermelho. Tinha a cabeça de lado, escondida por uma massa de cabelo preto espalhado. Um dos braços estava debaixo do corpo, o outro estava estendido com os dedos fechados e, no centro da mancha vermelha, erguia-se o cabo de uma grande cimitarra curda que o coronel Lacey ainda na noite anterior havia mostrado aos seus hóspedes.
- Mon Dieu! – exclamou Poirot. – Parece uma cena de teatro.»

4 comentários:

  1. Nunca li este livro e tenho de o fazer. Bom dia!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. É um dos nossos livros favoritos com Hercule Poirot como heroi e no dia de Natal revemos o filme.
      Obrigado pela visita e comentário.
      Bom dia!

      Eliminar
  2. Peço licença para discordar mas, mal por mal, sempre prefiro A. Finney; sempre achei o Suchet muito "adamado", caracteristica que A. C. lhe não atribuiu excessivamente...
    Infelizmente, Poirot nunca teve um Jean Gabin, como teve o Maigret, de Simenon.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. A diversidade de opiniões origina a troca de ideias.
      Obrigado pela visita e comentário.
      Bom dia!

      Eliminar