segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Victor Fleming / David O'Selznick – “E Tudo o Vento Levou” / “Gone With The Wind”


Victor Fleming / David O'Selznick – "E Tudo o Vento Levou" / "Gone With the Wind"
(EUA - 1939) - (225 min. / Cor)
Clark Gable, Vivien Leigh, Leslie Howard, Olivia de Havilland.

Quando olhamos para este filme e procuramos o seu verdadeiro responsável, o nome que nos surge é o de David O’Selznick, esse produtor que tudo apostou na película, mas se pensarmos no realizador, embora seja o nome de Victor Fleming que encontramos mencionado, não nos poderemos esquecer que o primeiro cineasta a estar por detrás da câmara foi o grande George Cukor, que se deu muito mal com David O’Selznick, terminando por ser despedido. Sam Wood foi outro realizador bem conhecido que passou pela película, tal como o célebre William Cameron Menzies, que se encarregou dos soberbos cenários que vemos ao longo do filme.


Por aqui já se vê como foram atribuladas as filmagens de “E Tudo o Vento Levou” / “Gone With the Wind”, baseado no célebre romance de Margareth Mitchell, que fizera chorar a América e que fora comprado a peso de ouro por David O’Selznick. Um dado curioso é o de Francis Scott Fitzgerald ter sido um dos argumentistas a “carpinteirar” esta poderosa obra.
Durante as filmagens, todas as atenções em Hollywood se viraram para a feitura desta película, cujos gastos atingiram a soma de quatro milhões de dollars e que nos ofereceu uma das mais famosas heroínas da História do Cinema, a bela Scarlett O’Hara, interpretada por Vivien Leigh, mais conhecida na época por ser esposa de Laurence Olivier do que pelo seu enorme talento, que se irá revelar nesta película e no fabuloso filme de Elia Kazan, “Um Eléctrico Chamado Desejo” / “A Streetcar Named Desire”. Nunca é demais referir que Vivien Leigh deixou KO durante os testes para encontrar a actriz perfeita para o papel, Bette Davis e Katherine Hepburn, duas das mais temidas candidatas a interpretar a bela, caprichosa e destemida Scarlett O’Hara.


Estamos no Sul, esse território dominado pelos ricos fazendeiros, com as suas enormes plantações e onde a escravatura ainda era uma triste realidade. E em Tara, a famosa propriedade, iremos descobrir Scarlett O’Hara, que irá estar uma vida inteira perdidamente apaixonada pelo homem errado, ou melhor Ashley Wilkes (Leslie Howard), que nunca a tentará desenganar, apesar de ter casado com a sua prima Melanie (Olívia de Havilland). Furiosa com esta traição, Scarlett O’Hara decide também ela casar com o primeiro homem à mão, que irá rapidamente morrer na guerra civil que entretanto estala entre os Estados do Norte e os Estados do Sul dessa América de então na mais cruel guerra civil de que há memória no Novo Mundo, tornando-a numa bela viúva, que irá chamar a atenção do destemido Rhett Buttler (Clark Gable), ele que irá sempre olhar o conflito de forma bastante diferente das forças oponentes.


Tara, a famosa propriedade, será destruída pela guerra como veremos no filme, sendo uma das mais famosas sequências da película o incêndio da cidade de Atlanta, nesta memorável sequência os Estúdios aproveitaram para destruir e queimar os gigantescos cenários de “Intolerância” / “Intolerance” de David Wark Griffith, o filme que destrui a carreira do célebre criador da linguagem cinematográfica devido aos fracos resultados de bilheteira. Mas Scarlett O’ Hara irá com toda a sua força reconstruir a sua casa, descobrindo em Rhett Buttler (Clark Gable) o homem ideal para estar a seu lado, mas a sua cega paixão por Ashley Wilkes (Leslie Howard), após a morte da sua prima Melanie (Olivia de Havilland), será a gota de água que levará Rhett Buttler a partir finalmente de Tara, deixando para trás a mulher que se esqueceu de o amar, num dos momentos mais poderosos da película.


“Gone With the Wind” / “E Tudo o Vento Levou” foi premiado com uma chuva de Oscars e obteve na época resultados espantosos nas bilheteiras, transformando-se num dos filmes mais rentáveis de sempre da Sétima Arte. E quando revemos, mais uma vez, esta película percebemos que esta obra verdadeiramente monumental só foi possível graças à luta titânica desse produtor chamado David O’Selznick que, como todos sabemos, iria abrir as portas de Hollywood para a maravilhosa carreira americana de Alfred Hitchcock.

8 comentários:

  1. Gosto imenso deste filme e já o revi diversas vezes. E dessa actriz espantosa, que é a Vivien Leigh ( falo n presente, porque, para mim, é como se continuasse cá, através das interpretações que nos deixou).

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    1. Vi este filme sozinho em criança no cinema Condes, tinha 10 anos e quando está a terminar a primeira parte da película, que eu pensava ser o final do filme, surge a palavra "intermission" no écran. Saí para o átrio do cinema Condes e já anoitecia, queria ver o final do filme e então pedi à simpática senhora do bengaleiro se podia fazer uma chamada e contei-lhe o que se passava, ela deixou:) - e depois a minha avó disse: "termina de ver o filme e depois vem logo para casa." E eu assim fiz.
      A versão que estava a ver nessa tarde era a que foi lançada em 1969,restaurada e em 70 mm, nunca mais me esqueci deste filme e das interpretações de Vivien Leigh e Clark Gable.
      Aproveito para, caso não conheça, recomendar o filme "Waterloo Bridge" / "A Ponte de Waterloo", com a Vivien Leih e o Robert Taylor, a realização é do Mervyn Leroy. E concordo consigo, no écran, todos eles permanecem vivos. Não perca o post que vai sair amanhã às 15 horas, trata precisamente da magia do cinema :)
      Obrigado pela visita e comentário.
      Boa Tarde!

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  2. Que gira a história passada no Condes! Imagino as muitas memórias que terá nas salas de cinema lisboetas. :-)

    A última vez que fui ao Condes, foi há mais de 20 anos, para ver o " Pulp Fiction".

    Fica registada a sugestão do filme que aconselha.

    Boa noite! :-)

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    1. Tanto as salas de cinema como os filmes estão repletos de memórias.
      Já escrevi sobre duas salas de cinema: o Quarteto e o Jardim Cinema. No entanto espero vir a escever sobre todas as salas de cinema que conheci, ao longo dos anos, porque há sempre uma história engraçada para contar.
      Obrigado pelo comentário
      Boa Noite!

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  3. Para além das muitas passagens na televisão, vi-o nos anos 80, no desaparecido cinema Monumental.

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    1. Um filme na verdade que termina por nos acompanhar ao longo da vida.
      Obrigado pela visita e comentário.
      Boa Noite.

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  4. Adoro, adoro, adoro!
    É o meu preferido.♥

    Beijão!
    Blog: *** Caos ***

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    1. Também gostamos muito deste filme.
      Obrigado pela visita e comentário.
      Beijinhos.

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