quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Thomas Vinterberg – “A Festa” / “Festen”


Thomas Vinterberg – "A Festa" / "Festen"
(DINAMARCA/SUÉCIA – 1998) – (105 min. / Cor)
Ulrich Thomsen, Henning Moritzen, Thomas Bo Larson, Paproka Steen.

“A Festa” / “Festen” foi o segundo filme a surgir, após o aparecimento do célebre Manifesto Dogma 95, elaborado por diversos cineastas dinamarqueses, entre os quais se inclui Lars Von Trier e que preconiza a realização de filmes com o mínimo de meios: câmara digital, luz natural, improvisação e reduzido número de efeitos visuais. Alguns consideraram o Manifesto como um golpe publicitário, mas o que é certo é que ele abriu as portas do cinema Dinamarquês para o exterior, tornando muito maior a sua visibilidade, ao mesmo tempo que eram descobertos novos cineastas, que até então apenas eram conhecidos nos países nórdicos.

Thomas Vinterberg, que também assina o argumento com Morgen Rukov, seu habitual colaborador, convida-nos a assistir à festa de aniversário do patriarca de uma família que comemora os seus sessenta anos, iremos assim conhecer os membros de uma família abastada e as suas respectivas vidas, mas à medida que os acontecimentos e os conflitos vão surgindo, iremos deparar-nos perante um enorme drama familiar, onde irão ser revelados segredos até então bem guardados por todos.


A forma como nos é dado a ver os diversos conflitos, que se vão gerar ao longo da película, faz-nos recordar por diversas vezes os filmes e a dramaturgia das obras de John Cassavetes ou o famoso “Um Casamento” / “A Wedding” de Robert Altman.


Nas vésperas da comemoração do aniversário do patriarca da família, a filha gémea do irmão mais velho irá suicidar-se, pairando a sombra deste acontecimento durante o serão, revelando-se como o elemento que irá despoletar a tragédia, para virmos a saber que o pai violava os seus próprios filhos, com o conhecimento da mulher, enquanto um dos filhos engravidara uma das criadas, obrigando-a depois a fazer um aborto, devido à sua condição social.


“A Festa” / “Festen” irá dar diversos “murros no estômago” ao espectador, sem dó nem piedade, que atónito vai assistindo ao desenrolar dos acontecimentos, sempre num escalar de tensão e onde até o racismo não está ausente.

Thomas Vinterberg ao realizar esta película, vencedora de 28 Prémios Cinematográficos, incluindo o Prémio Especial do Juri de Cannes, oferece-nos com “Festen” / “A Festa”  um dos seus melhores trabalhos, revelando-se este filme como o melhor de todos os que foram criados segundo as regras do famoso “Dogma 95” dinamarquês, cuja linguagem cinematográfica irá ser adoptada ou testada, se preferirem, por realizadores oriundos das mais diversas partes do globo, ao longo dos anos.

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