quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Tay Garnett – “O Carteiro Toca Sempre Duas Vezes” / “The Postman Always Ring Twice”

Tay Garnett – "O Carteiro Toca Sempre Duas Vezes" / "The Postman Always Rings Twice"
(EUA – 1946) - (113 min. - P/B)
John Garfield, Lana Turner, Cecil Kellaway, Hume Cronyn.

Tay Garnett é um daqueles cineastas a quem os dicionários de cinema dedicam sempre muito poucas linhas. No entanto, ele irá em 1946 abanar as convenções do cinema norte-americano, ao adaptar a obra “The Postman Always Ring Twice”, que celebrizou o jornalista e escritor de policiais James Cain.
Recorde-se que, já em 1942, Luchino Visconti adaptara esta obra ao cinema, transpondo a acção para a Itália, “escondendo” o nome do seu autor em virtude de não ter dinheiro para pagar os direitos do livro, criando com “Obsessão” / “Ossessione” uma das grandes películas do neo-realismo.


“O Carteiro Toca sempre Duas Vezes” / “The Postman Always Ring Twice” de Tay Garnett, tal como o romance, situa a acção em plena recessão e narra-nos o amor trágico e proibido de Frank Chambers (John Garfield) e Cora (Lana Turner em todo o seu esplendor, respirando sensualidade por todos os poros).
Frank é um dos muitos desempregados que cruzam aquela estrada, socorrendo-se de boleias, para atingir a Califórnia, em busca de trabalho, tal como vimos também em “As Vinhas da Ira” de John Ford, sobre o qual já aqui escrevemos. Mas ao entrar naquele Diner, com a respectiva bomba de gasolina à beira da estrada, irá descobrir na bela esposa do proprietário um verdadeiro anjo sedutor, que o irá fazer cair na mais perigosa das tentações.
O marido de Cora, muito mais velho que ela, é a ingenuidade feita homem e ao oferecer trabalho àquele desempregado desconhece que está a contratar o futuro amante da mulher.


O envolvimento amoroso entre Cora e Frank é imediato, nascendo no horizonte o desejo de fugirem daquele local perdido no tempo. No entanto irão optar por caminhos ainda mais perigosos, decidindo ambos assassinar o marido incómodo. O plano irá ter sucesso, graças a um esperto advogado que os irá ilibar, mas a vida a que aspiram teima em não nascer. E quando tudo parecia finalmente perfeito, um acidente de automóvel irá vitimar a bela Cora, sendo então Frank acusado da sua morte.


John Garfield, que aqui nos oferece uma das melhores interpretações de toda a sua carreira cinematográfica, irá ser, poucos anos depois, uma das vítimas do senador McCarty, quando os Estúdios se recusam a dar-lhe trabalho devido às acusações que lhe foram dirigidas pelos homens de mão do poderoso e perigoso Senador, terminando o actor por se suicidar.
A forma como Tay Garnett nos oferece Lana Turner, uma verdadeira felina respirando inocência e sedução em simultâneo, causou um enorme escândalo na época e basta vermos a sua entrada no filme, com os célebres calções, nesse plano inesquecível que começa nas suas pernas e termina no seu rosto angélico, para obtermos de imediato a leitura desse pecado mortal que está para nascer.


Mais de trinta anos depois, em 1981, Bob Rafelson irá oferecer-nos um novo “remake” do filme, com Jessica Lange e Jack Nicholson nos protagonistas, mas será sempre a película de Tay Garnett a mais perfeita e sedutora adaptação do genial romance de James Cain, “O Carteiro Toca Sempre Duas Vezes”.

2 comentários:

  1. Tenho de ver esta película.
    A primeira vez que ouvi falar da Lana Turner foi pelo meu professor de Inglês do Secundário. Ele gostava imenso dela.

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    1. A Lana Turner é uma magnifica actriz, aproveito também para lhe recomendar outro filme desta actriz, realizado pelo Douglas Sirk e intitulado "Imitação da Vida" / "Imitation of Life", um melodrama inesquecível.
      Bom dia!

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