sábado, 8 de outubro de 2016

Sigourney Weaver – Parte 2


Quando Ridley Scott decidiu empreender a aventura de Cristóvão Colombo e o seu descobrimento da América, foi Sigourney Weaver a escolhida para representar a Rainha Isabel. No ano seguinte, 1993, a actriz decide regressar à comédia na companhia de Kevin Kline construindo uma das mais deliciosas comédias de sempre em “Dave” / ”Dave – Presidente por Um Dia”, encontrando-se atrás da câmara o seu velho amigo Ivan Reitman, que consegue construir uma obra profundamente capriana tendo em conta a estrutura narrativa do filme e o próprio conteúdo do argumento.


"Dave" / "Dave - Presidente por um Dia"

Se um dia alguém nos perguntar qual o melhor filme de Sigourney Weaver, aquele em que ela demonstra todas as suas potencialidade e entra no corpo da personagem da forma mais intensa e criativa, só poderemos ter um nome e esse filme será sempre “Death and the Maiden” / “A Noite da Vingança” de Roman Polanski onde ela interpreta uma antiga presa política de um país da América Latina, casada com um dirigente progressista (Stuart Wilson) que também conheceu as atrocidades da ditadura e que um dia vê bater à sua porta para pedir auxílio o seu antigo carrasco (Ben Kingsley). Será ele o torturador?


"Dave" / "Dave - Presidente por um Dia"

Essa dúvida, que a irá atormentar, fará com que ela o sequestre a fim de obter a sua confissão, mas ao longo daquela longa noite em que tudo acontece: a luz falta, as comunicações estão cortadas e a chuva teima em cair, ela e nós ficaremos sempre na dúvida ou certeza de que a vítima encontrou finalmente o seu carrasco, que surge “indefeso” perante ela, revelando-se o marido um juiz de mãos atadas.


"The Death and the Maiden" / "A Noite da Vingança"

No final, cada um ficará com a sua consciência (in)tranquila. Mas cada um poderá ver também, com os seus próprios olhos, essa espantosa actriz chamada Sigourney Weaver. Também nunca nos podemos esquecer do cineasta responsável pela feitura de “Death and the Maiden” / “A Noite da Vingança”, esse nome incontornável chamado Roman Polanski que em criança, como uma toupeira, fugia do Ghetto de Varsóvia durante a ocupação nazi para procurar comida, como nos relata no seu livro “Roman por Polanski” (editado em Portugal pela Difel) e que ficciona essa realidade nessa obra espantosa chamada “O Pianista” / “The Pianist”.


"The Death and the Maiden" / "A noite da Vingança"

Aqueles que leram a novela de Rick Moody, “Tempestade de Gelo” (já editada entre nós pela Quetzal), irão perceber perfeitamente as razões porque Sigourney Weaver foi a escolhida para a adaptação cinematográfica levada a cabo por Ang Lee desta obra incontornável da Literatura Contemporânea.
Mais uma vez a vamos encontrar ao lado de Kevin Kline em “The Ice Storm” / “Tempestade de Gelo”, na companhia dessa outra grande actriz chamada Joan Allen.


"The Ice Storm" / "Tempestade de Gelo"

Estamos assim perante a desagregação familiar tão característica desses anos setenta, como tão bem retratou recentemente Robert Downey Júnior, numa entrevista, quando contou que aos sete anos fumou marijuana oferecida pelo pai.
Como sabemos, nessa época era proibido proibir, mas após os excessos, os tempos mudaram radicalmente e como as sociedades são feitas de extremos nasceram os “yuppies” e os “workaolics”, para mais tarde surgir a mais famosa ideologia do século XXI, conhecida pelo belo nome de “politicamente correcto”.


"The Ice Storm" / "Tempestade de Gelo"

Nesta película, cuja acção se passa em 1973, iremos também encontrar três nomes que hoje são bem conhecidos do grande público, Tobey Maguire (o famoso Homem-Aranha), Christina Ricci (dos filmes da Família Addams) e Elijah Wood (da trilogia de O Senhor dos Anéis). “Tempestade de Gelo” / “The Ice Storm”, surge assim pela mão de Ang Lee como uma metáfora de uma outra tempestade, que desabou na vida de duas famílias, que viram o seu mundo ser estilhaçado e desaparecer para sempre.

(continua)

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