segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Josef von Sternberg – “O Anjo Azul” / “Der Blaue Engel”


Josef von Sternberg – "O Anjo Azul" / "Der Blaue Engel"
(ALEMANHA – 1930) - (109 min.   - P/B)
Marlene Dietrich, Emil Jannings, Kurt Gerron, Rosa Valetti.

“O Anjo Azul” / “Der Blaue Engel” teve o condão de revelar uma das maiores estrelas do cinema, a hoje mais que célebre Marlene Dietrich. No entanto, na época em que o filme foi realizado ela era uma verdadeira desconhecida, sendo a estrela do filme Emil Jannings, esse actor poderoso que se deu mal na América, quando o mudo passou a sonoro, devido à sua dificuldade com a língua inglesa. Josef von Sternberg irá construir com esta película, baseada no romance de Heirich Mann, uma das obras-primas do cinema.

Josef von Sternberg e Marlene Dietrich

O professor Rath (Emil Jannings), todas as manhãs, depois do seu célebre relógio de cuco tocar, sai de casa e dirige-se ao colégio onde é um professor respeitável mas, cada vez mais, os seus alunos não lhe dão qualquer atenção durante as aulas, chegando alguns até a adormecer, até que descobre que eles frequentam um cabaret onde a bela Lola (Marlene Dietrich), seduz os espectadores. Ao entrar nesse antro de imoralidade ele, que é um homem de bons costumes, é de imediato visto pelos alunos, que começam a fugir da sala, embora alguns não escapem a uma valente repreensão, dada pelo professor. Decidido a colocar um ponto final no problema, vai falar com a estrela da companhia, a bela e sensual Lola, cujas pernas enfeitiçam os espectadores.

No entanto, a mulher que ele encontra é bem diferente do que pensava e rapidamente se apaixona por ela, começando a assistir aos seus espectáculos, onde é tratado com toda a deferência. Rapidamente a paixão irá conduzi-lo à cegueira, terminando por se casar com ela e participando numa digressão da companhia.



Iremos assim assistir à queda no abismo mais profundo do honrado professor Rath, que rapidamente começa a fazer parte do espectáculo como palhaço, sujeitando-se a tudo. À medida que o tempo passa, esse belo anjo azul transforma-o num homem ridículo e, quando a companhia decide regressar à cidade onde ele fora outrora um professor respeitável, todos os demónios se apoderam dele.
A humilhação a que é sujeito perante todos os que o conheceram leva-o à beira da loucura até que, transformado num verdadeiro farrapo humano, deixa para trás a mulher que o enfeitiçou, dirigindo-se à sua antiga sala de aula, onde se senta na sua antiga secretária e deixa que a dor lhe consuma a alma, num derradeiro gesto, em busca da dignidade perdida.

“Der Blaue Engel” respira sensualidade e amargura por todos os poros, estando a interpretação de Emil Jannings ao nível de “O Último dos Homens” / “Der Letzte Mann”de F. W. Murnau.

Josef von Sternberg conduz a luminosidade do expressionismo ao seu esplendor, utilizando o preto e branco de forma mais-que-perfeita.
“O Anjo Azul” / “Der Blaue Engel” permanece uma das obras cinematográficas mais dolorosas e geniais da carreira do cineasta.

2 comentários:

  1. A mais bela mulher, num preto e branco absolutamente maravilhoso! Assim se fazem as grandes divas do cinema!

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    1. Sternberg criou a Diva e nunca mais essa imagem abandonou Marlene Dietrich;)
      Bom dia!

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