quinta-feira, 20 de outubro de 2016

John Ford – “As Vinhas da Ira” / “The Grapes of Wrath”


John Ford – "As Vinhas da Ira" / "The Grapes of Wrath"
(EUA – 1940) - (129 min. - P/B)
Henry Fonda, Jane Darwell, Russell Simpson, John Carradine.

Como todos sabemos, John Ford sempre foi um cineasta ideologicamente conservador, mas sempre defendendo os mais desfavorecidos, embora nunca tenha escondido as suas simpatias por aqueles que sempre lutaram em defesa de uma Irlanda independente e contra a ocupação inglesa. E quando, em plena época McCartysta Cecil B. de Mille numa célebre reunião de realizadores pediu a “cabeça” de Joseph L. Mankiewicz, o irlandês John Ford não hesitou em defender o cineasta e produtor, evitando que este caísse nas malhas da mortífera teia que o senador estava a construir em redor de Hollywood, perseguindo tudo e todos numa caçada ideológica que ficou na História do Cinema como um dos 
momentos mais negros da América.


Percebemos assim que as razões que motivaram John Ford a transportar para o cinema o célebre romance de John Steinbeck, “As Vinhas da Ira”, não tinham os intuitos ideológicos do escritor, mas sim o seu desejo de mais uma vez dar voz aos mais desfavorecidos. Tal como Erskine Caldwell e John dos Passos, John Steinbeck nunca escondeu as suas ideias, desenvolvendo-as literáriamente de forma genial. Mas o que fascinou verdadeiramente John Ford, ao ler o romance, foi a luta pela sobrevivência levada a cabo pela família Joad e assim filmou a sua viagem na velha camioneta, como se ela fosse uma diligência e estivéssemos perante um western.
A odisseia dos Joad, arruinados pela depressão, naqueles terríveis anos trinta, irá obrigá-los a abandonar o seu pedaço de terra na sua Oklahoma natal e partir em busca do “Paraíso”, nessa Califórnia distante, em que diziam haver trabalho para todos.


A viagem, como iremos ver, será terrível para todos, não resistindo os mais velhos a essa longa jornada em busca do pão de cada dia. E, como não podia deixar de ser, é nos mais novos que a revolta germina, especialmente em Tom (espantoso Henry Fonda, numa das interpretações da sua vida), que irá lutar contra tudo e contra todos, numa busca incessante de melhores condições de vida.
Chegados à terra prometida, cedo descobrem que a realidade é bem diferente do sonho acalentado. As longas horas de trabalho a que são sujeitos e as condições deploráveis em que vivem irão aumentar a revolta de Tom, até chegar esse momento fatal em que irá matar um homem, para proteger aqueles que ama.
E quando no final escutamos o seu grito de revolta em busca da justiça esquecida, sentimos o poder do cinema de John Ford em todo o seu esplendor.


A forma como o cineasta nos oferece a viagem e o quotidiano desta família é memorável e a fotografia desse Mestre chamado Gregg Toland, utilizando um preto e branco invadido pela luz, transformam “As Vinhas da Ira” / “The Grapes of Wrath” de John Ford numa obra imortal, sem dúvida alguma uma das pedras basilares da monumental filmografia Fordiana.

Sem comentários:

Enviar um comentário