terça-feira, 18 de outubro de 2016

Fritz Lang – “M – Matou” / “M”



Fritz Lang – "M - Matou" / "M"
(ALE – 1931) - (99 min. - P/B)
Peter Lorre, Otto Wernicke, Gustav Grundgens.

Em 1931 Fritz Lang irá oferecer-nos um dos seus filmes mais famosos, partindo de um caso que ficou conhecido na imprensa como “O Vampiro de Dusseldorf” e, como não podia deixar de ser, a sua mulher Thea von Harbou, habitual colaboradora nos argumentos do filme do cineasta, dissecou o estado de uma nação a partir deste caso do quotidiano.



Peter Lorre irá vestir a pele do assassino de crianças Frantz Becker, que gosta de assobiar uma melodia cativante, enquanto passeia pelas ruas da cidade, em busca das suas pequenas vítimas indefesas.
O rosto do assassino é o de uma criança crescida, quase inofensiva, escondendo o mal que lhe vai na alma. Elisa Beckmann será mais uma das suas vítimas e a polícia chefiada pelo célebre comissário Lohmann (Otto Wernicke) começa a prender todos os suspeitos que vivem na cidade, atormentando o organizado mundo do crime.
E serão precisamente estes elementos, que vivem no sub-mundo da cidade, que irão efectuar uma verdadeira caça ao homem, para não verem a sua organização desmantelada.


Fritz Lang

No dia em que um deles descobre finalmente a identidade do homem mais procurado na cidade, desenha nas suas costas a letra M, com um pedaço de giz, para os seus acólitos o identificarem. Perseguido de forma impiedosa e finalmente encurralado, Frantz Becker acaba por ser apanhado pelos malfeitores, que decidem fazer o seu julgamento, segundo a sua própria justiça, condenando-o de imediato à morte.

Durante o julgamento vimos o medo estampado no rosto de Frantz Becker, que ingenuamente se defende das acusações, proclamando a sua inocência. E aqui Fritz Lang oferece a Peter Lorre o mais célebre momento cinematográfico da sua carreira de actor. Mas quando o temido assassino de crianças está prestes a ser linchado pelos malfeitores, a polícia invade o esconderijo e prende-o.


Peter Lorre

Na época, esta película extraordinária atormentou muito “boa gente”, porque o filme fala precisamente de um poder que estava prestes a nascer desse ovo de serpente, que Ingmar Bergman tão bem caracterizou no filme do mesmo nome. Mais uma vez, o genial cineasta alemão filma o mal da mesma forma com que tinha criado o célebre Dr. Mabuse que, como sabemos. irá incomodar o próprio poder nascente
(Re)ver “M – Matou” é na verdade entrar pela porta grande da Sétima Arte  e descobrir no écran, uma das mais espantosas criações desse grande actor chamado Peter Lorre.

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