terça-feira, 25 de outubro de 2016

Chantal Akerman – “Um Divã em Nova Iorque” / “Un Divan à New York”


Chantal Akerman – "Um Divã em Nova Iorque" / "Un Divan à New York"
(EUA/FRA/ALE/BEL – 1996) – (108 min. / Cor)
William Hurt, Juliette Binoche, Paul Guilfoyle, Richard Jenkins, Stephanie Buttle.

William Hurt é um actor que navega nos mais diversos registos, como está mais que provado pela sua longa vida, repleta de interpretações brilhantes, no interior da Sétima Arte, tendo obtido o Oscar para a Melhor Interpretação Masculina em “O Beijo da Mulher Aranha” / “Kiss of the Spider Woman” de Hector Babenco, onde interpreta um homem preso pelo simples facto de ser homossexual, compartilhando a cela com um preso político, que lhe irá transmitir essa consciência política ausente do seu universo.


E se compararmos este espantoso trabalho de interpretação de William Hurt, com o desenvolvido em “Um Divã em Nova Iorque” / “Un Divan à New York”, perceberemos como o actor é profundamente multifacetado, oferecendo-nos uma interpretação brilhante nesta comédia romântica dirigida pela cineasta belga Chantal Akerman, que ao longo da sua filmografia se dividiu sempre  entre os trabalhos de ficção e o documentarismo, recorde-se que Chantal Akerman faleceu no ano passado, embora permaneça bem viva no meio de todos os que amam o Cinema.


Henry Harriston (William Hurt) é um psicanalista famoso que exerce a sua actividade nessa grande metrópole que é New York e após ter uma crise nervosa devido ao excesso de trabalho decide partir para a Europa, mais concretamente Paris, a bela cidade das luzes, usando a famosa troca de apartamentos para passar férias, sendo a dona do apartamento de Paris a bela Beatrice Saulnier (Juliette Binoche), uma bailarina desempregada, que irá aceitar esta oportunidade de ouro para viajar até a América, aproveitando assim para fugir do namorado incómodo com quem rompeu a relação.


Ao regressar antes do tempo previsto, porque não se adapta à capital Parisiense, o Dr. Harry Harriston (William Hurt), decide não regressar ao seu apartamento, mas quando um dos seus doentes mais difíceis e famoso pelas suas crises existenciais passa por ele num jardim, bem feliz da vida, ele fica incrédulo e escondendo a sua verdadeira identidade irá descobrir que a bela Beatrice Saulnier (Juliette Binoche), seguindo os conselhos de uma amiga, encontrada por acaso na Big Apple, decidira exercer a profissão de psicanalista, apresentando-se aos doentes como a médica substituta do Dr. Harry Harriston, que se encontra a gozar férias em Paris, conseguindo um sucesso assinalável, porque basta ter um ar muito sério e dizer “hum… hum…”, ao mesmo tempo que revela pequenos gestos com a cabeça, de acordo com o que vai escutando da boca dos pacientes e depois é só esperar pelo final da sessão, devidamente cronometrada e estender a mão para receber o respectivo pagamento. Mas, como não podia deixar de ser, o romance irá surgir, quando o próprio psicanalista se faz passar por um dos doentes.


“Um Divã em Nova Iorque” / ”Un Divan à New York” de Chantal Akerman oferece-nos um duelo fabuloso entre William Hurt e Juliette Binoche, revelando-se uma verdadeira comédia de enganos, que nos obriga a soltar gargalhadas bem saborosas, tal é a delícia dos diálogos trocados entre os dois protagonistas, assim como as diversas sessões de psicanálise que iremos assistir ao longo da película.

Chantal Akerman

Chantal Akerman revelou, nesta película, um saber que deixou muitos estupefactos, revelando uma direcção de actores excelente, ao mesmo tempo que geriu de forma soberba os meios à sua disposição, cinematograficamente falando.

“Un Divan à New York” / “Um Divã em Nova Iorque” de Chantal Akerman, surge assim como uma surpreendente e deliciosa comédia, que gere de forma perfeita o território da psicanálise e nos oferece uma faceta pouco conhecida desta magnifica cineasta belga.

2 comentários:

  1. Deve ser um filme bem divertido e eu gosto muito destes dois actores.
    O William Hurt é muito versátil e tão genuíno que nem sentimos que está a representar. Esqueço-me sempre que é actor.

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    1. Vi este filme várias vezes no cinema e é muito divertido, especialmente as sessões de psicanálise que são inesquecíveis:) e concordo absolutamente consigo no que diz respeito a estes dois actores.
      Bom dia!

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