domingo, 23 de outubro de 2016

António- Pedro Vasconcelos – “O Lugar do Morto”


António-Pedro Vasconcelos – "O Lugar do Morto"
(PORTUGAL - 1984) – (118 min/Cor)
Ana Zanatti, Pedro Oliveira, Manuela de Freitas, Luís Lima Barreto, André Gomes, Rui Morrison.

António-Pedro de Vasconcelos conseguiu, até hoje, conciliar a qualidade dos seus filmes com o êxito de bilheteira e o aplauso da crítica em geral.
Cineasta fascinado pela Nouvelle Vague e pelo Cinema Clássico Norte-Americano, para além de uma intensa actividade crítica, António Pedro Vasconcelos consegue introduzir nos seus filmes uma linha narrativa em que a arte de contar uma história, a par de uma sempre excelente direcção de actores, é o seu segredo.


Em "O Lugar do Morto" é possível registar uma certa evolução na estrutura narrativa em relação a "Oxalá" – a película anterior – com a eliminação das citações, que nos dias de hoje o tornam um pouco datado, apesar da sua inequívoca qualidade. No entanto, em ambos reside o mesmo enigma, esse enigma que é a mulher. E no caso concreto de Ana Mónica (Ana Zanatti), a sua imagem e comportamento no início e no final do filme. Tudo começou naquele lugar e tudo terminou naquele mesmo lugar, o do morto, mas o que fica e vive entre estes dois pontos passou pelo seu corpo e o segredo dessa passagem é o alimento de uma vida que resiste ao encontro das horas no tempo.


Álvaro Serpa (Pedro Oliveira) é um homem dividido entre a sua profissão (jornalista) e a(s) mulheres que ama ou julga amar. O território onde se move encontra-se repleto de armadilhas. A fuga momentânea em casa da mãe, na companhia do filho mais novo, recordando o passado, é já o traçar de um destino que tudo antecipa, conhecimento desse ontem registado amanhã, invadido pela arte de iludir a própria vida, com o descanso da morte.

"O Lugar do Morto", já editado em dvd e possuindo para além do trailer o comentário do cineasta António-Pedro Vasconcelos, merece bem ser (re)descoberto.

2 comentários:

  1. Um dos meus filmes portugueses favoritos. Pedro Oliveira e Ana Zanatti fazem uma dupla fantástica!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. O Pedro oliveira que na época só era conhecido como jornalista da RTP surpreendeu tudo e todos, já a Ana Zanatti confirmou as suas qualidades como a grande intérprete que sempre foi eAntónio Pedro de Vasconcelos confirmava com este filme ser um dos mais interessantes cineastas do denominado Cinema Novo Português.
      Obrigado pela visita e comentário.

      Eliminar