sábado, 1 de outubro de 2016

Anjelica Huston – Parte 1


Após o nascimento de “A Honra dos Padrinhos”/ ”Prizzi’s Honor”, o nome de Anjelica Huston saltou decididamente para a ribalta ou seja ganhou aquele Óscar que transforma decididamente a carreira de uma actriz, a sua interpretação da figura de Maerose é na verdade inesquecível; no entanto a sua carreira começou bastante antes: quem se lembra dela em 1964 no filme “Entre o Amor e a Morte ”/”A Walk With Love and Death” realizado pelo seu pai John Huston e que por terras lusas passou pelo hoje extinto cinema Satélite, a sala estúdio do saudoso cinema Monumental?


Anjelica Huston e John Huston

A actriz nasceu quando o pai trabalhava em “A Rainha Africana” / “The African Queen”, com Humphrey Bogart e Katherine Hepburn (uma das vedetas que Anjelica Huston admirou durante a adolescência), em 1951. Dois anos mais tarde, quando a mão pesada e perseguidora do senador McCarthy já se fazia sentir nos meios cinematográficos norte-americanos, John Huston decidiu trocar o Novo Mundo pela Irlanda, tendo sido esses longos campos verdejantes a acolher Anjelica durante a sua infância, passada praticamente com a mãe, pois só via o pai quando ele ia descansar nos intervalos entre duas películas. Aliás foi a mãe, antiga bailarina, que lhe introduziu nas veias o amor pelo teatro e a representação. No entanto, não seria no teatro que ela teria o seu baptismo de fogo, mas sim no cinema, sendo a figura feminina de “Entre o Amor e a Morte” / “A Walk With Love and Death”, considerado por muitos o “Love Story” da Idade Média, tendo em conta que no final os dois amantes, fartos de fugir, decidem permanecer no convento que os acolhe, aguardando serenamente a chegada dos seus perseguidores.


"A Walk With Love and Death" / 
"Um Passeio Entre o Amor e a Morte"

Anjelica Huston tinha apenas quinze anos quando este filme foi produzido e no ano seguinte seria, enfim, a tão desejada estreia teatral com o “Hamlet” encenado por Tony Richardson (um dos nomes do “Free Cinema” Britânico). Foi durante as representações da peça em Londres que Anjelica Huston teve conhecimento da morte da mãe, provocando-lhe o maior desgosto da sua vida, dando origem à sua partida para a América com a companhia de teatro, decisão que anteriormente não estava nos seus planos. Nova Iorque e a Broadway foram o seu primeiro lar, mas depois seguiu para Este, iniciando a sua conhecida carreira de modelo.
A actividade de modelo não lhe fez esquecer o amor pelo cinema, acabando por desistir das passerelles. Começou então a trabalhar nos dois écrans: séries na TV e alguns papéis secundários em filmes como “O Grande Magnata” / The Last Tycoon”de Elia Kazan e “O Carteiro Toca Sempre Duas Vezes” / “The Postman Always Ring Twice” de Bob Rafelson.


Quando John Huston nos ofereceu “A Honra dos Padrinhos” / “Prizzi’s Honor”, muitos se interrogaram acerca da identidade daquela Maerose diabólica, que embora fosse a vítima privilegiada da família Prizzi, devido à sua maneira de ser, acaba por se transformar numa siciliana muito digna para a família, sempre vestida de preto, simulando a tristeza e o arrependimento enquanto preparava a sua vingança. Maerose é, evidentemente, Anjelica Huston como já todos sabemos e o que ela andou a fazer até aqui, embora tenha passado despercebido de muitos, chamou a atenção de um senhor chamado Jack Nicholson, seu companheiro durante muitos anos. Para Anjelica Huston “A Honra dos Padrinhos” / “Prizzi’s Honor” foi uma experiência inesquecível, como ela referiu na noite dos Oscars em que recebeu o troféu e Jack Nicholson revelava-se o companheiro ideal da actriz. Mas a rodagem de “A Difícil Arte de Amar” / “Heartburn” com Jack Nicholson e Meryl Streep nos protagonistas, iria mudar decididamente a vida sentimental de um casal que surgia aos olhos de muitos como o par perfeito.


(continua)

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