sábado, 10 de setembro de 2016

Kelly McGillis – Parte 3 – The End


Todos sabemos como Abel Ferrara é um dos grandes cineastas de culto de uma determinada geração, mas também sabemos como são duras e injustas as leis do mercado americano e quando Kelly McGillis aceitou ser a protagonista de “Get Chaser” baseado no romance do famoso escritor de romances policiais Elmore Leonard, nunca imaginou que a película em que contracenava com Peter Weller fosse lançada directamente em vídeo e não nas salas de cinema. Mas assim sucedeu infelizmente.



"Grand Isle"

Chegávamos assim aos anos noventa do século xx e Kelly McGillis começava a sentir a carreira a fugir-lhe das mãos. E nada melhor do que a fuga para a frente.
Nasce assim “Grand Isle” de Mary Lambert, (que na época, em Portugal, foi lançado directamente no mercado de video/aluguer), surgindo a película como uma “Kelly McGillis Production” e os resultados acabariam por se revelar desastrosos financeiramente para a actriz produtora, apesar do seu excelente desempenho, porque na realidade Mary Lambert não é James Ivory!



"Get Chaser"

No ano seguinte, o filme de Arthur Hiller “The Babe” / “A História de Babe Ruth” com John Goodman foi um “flop” estrondoso, do género do que aconteceu à bem conhecida  Annette Bening quando participou nessa comédia inenarrável intitulada  “De que Planeta és Tu?” / “What Planet Are You From?” de Mike Nichols.

Mas se a célebre esposa de Warren Beatty conseguiu sobreviver ao “flop”, tal como o cineasta Mike Nichols, já Kelly McGillis terminou por naufragar em toda a linha, acabando por decidir reiniciar a sua carreira na televisão, através da série “Dark Eyes”.



"At First Sight" / "À Primeira Vista"

Em finais dos anos noventa Kelly McGillis tenta o seu “come back” ao território cinematográfico e apesar de surgindo em três filmes no grande écran “The Settlement” de Mark Stein, “Morgan’s Ferry” de Sam Pillsbury e “At First Sight” / “À Primeira Vista” de Irwin Winkler com Val Kilmer e a Mira Sorvino nos principais papéis, na realidade foram poucos os executivos dos Estúdios que desejaram lembrar-se dela e oferecer uma nova oportunidade a esta talentosa actriz.

Assim, na passagem do milénio, surge num “thriller” de Samantha Lang, intitulado “No Monkey’s Mask” cujo tema, bastante polémico, poderá ter contribuído para a sua carreira entrar em fase “descendente”. No ano seguinte repete a receita em “No One Can Hear You” de John Laing, numa derradeira tentativa de regressar ao firmamento celeste de Hollywood, mas a verdade dos factos revelou-se bastante cruel, porque as plateias já se tinham esquecido do seu talento.



Tendo em conta o milagre que os palcos costumam fazer nas estrelas perdidas na celulóide, repare-se no bem que os palcos ingleses fizeram a tantas estrelas americanas, como sucedeu com Kathleen Turner, que relançou a sua carreira após a sua criação da célebre Mrs. Robinson (recordam-se do filme do Mike Nichols, “A Primeira Noite” com a Anne Bancroft e o Dustin Hoffman e a célebre canção de Simon & Garfunkel, que tanto furor fez na época?), já Kelly McGillis não procurou o velho continente e decidiu manter-se no Novo Mundo, embora tenha escolhido a mesma personagem, a tal Mrs. Robinson. Após uma tournée triunfal pela América em 2004, Kelly McGillis decidiu continuar na companhia e oferecer na Broadway todo o seu talento, em busca desse lugar ao sol, que tarda em chegar e que ela bem merece.

E assim começou por regressar primeiro ao pequeno écran através de telefilmes e depois a surgir brilhante em algumas séries de televisão, para depois regressar ao grande écran - (através desse enorme continente que é o cinema independente norte-americano) -  onde sempre nos ofereceu todo o seu enorme talento.

The End

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