domingo, 4 de setembro de 2016

Barbara Hershey – Parte 3 – The End



"The Portrait of a Lady" / "Retrato de Uma Senhora"
O romance de Henry James sobre o olhar de Jane Campion

Chegamos assim aos anos noventa do século xx e Barbara Hershey começa a diversificar a sua actividade, começando a surgir em telefilmes e séries, enquanto na área do grande écran decide alterar as regras do jogo, apostando tanto na comédia como no drama, ao mesmo tempo que opta quer por produções dos Estúdios quer por produções de baixo orçamento e até de cinema independente, como foi o caso de “Frogs and Snakes” (1998) desse cineasta incontornável do cinema independente chamado Amos Poe (recordam-se de “Subways Riders” / “Os Viajantes da Noite” e de “Alphabeth City” / “O Rei de Alphabeth City”, ambos exibidos no nosso país?).

Quando Mário Vargas Llosa escreveu o romance autobiográfico “A Tia Júlia e o Escrevedor”, editado em Portugal pela D. Quixote, nunca pensou que muitos anos mais tarde ele fosse adaptado ao cinema e logo por um grande Estúdio.


"Tune in Tomorrow" / "A Tia Julia e o Escrevedor"
O genial romance auto-biográfico de Mario Vargas Llosa

Mas assim aconteceu e a célebre Tia Júlia seria Barbara Hershey, enquanto o papel do futuro escritor, conhecido entre os familiares por Varguitas seria entregue a Keanu Reeves, já essa figura incontornável do romance, o “amigo radiofónico” dos argentinos iria ter Peter Falk como protagonista. No entanto o argumento foi alterado de uma forma inconcebível, já que a Argentina foi substituída pela Albânia e os albaneses. Quem leu o livro e viu o filme percebe que os Estúdios Americanos tiveram receio de um protesto ou conflito diplomático por parte do país sul-americano e com um país como a Albânia sentiram-se perfeitamente à vontade para levarem avante a produção, sem terem receios de problemas jurídicos. A película perdeu bastante desse humor bem corrosivo que respira nas páginas do maravilhoso romance do escritor peruano, mas os actores conseguiram caracterizar de forma perfeita as personagens, sem pôr em causa os heróis criados por Mario Vargas Llosa.


 “The Public Eye” / “Reporter Indiscreto” 

“The Public Eye” / “Reporter Indiscreto” (1992) é uma das melhores produções de Robert Zemeckis, dirigida por Howard Franklin, cuja história se situa nos anos quarenta na América, com um Joe Pesci espantoso, muito diferente das personagens interpretadas anteriormente nos filmes de Martin Scorsese, tendo a seu lado Barbara Hershey a vestir a pele da “femme fatale”. Uma obra que recomendamos vivamente, onde a memória do “film noir” respira em todos os fotograma, recorde-se que a Sétima Arte está repleta de pérolas desconhecidas que bem merecem ser encontradas pelos pescadores de pérolas cinéfilos.


"A Soldier's Daughter Never Cries"
/"Filha de Soldado Nunca Chora"


Depois foi a vez de contracenar com Michael Douglas em “Um Dia de Raiva” / “Falling Down” (1993) e surgir no filme menos “valorizado” de Jane Campion, intitulado “The Portrait of a Lady”/”Retrato de Uma Senhora”, baseado no conhecido romance de Henry James. A sua Madame Serena Merle é na verdade inesquecível! E quando o cinema volta a beber a sua magia na literatura, vamos encontrá-la ao lado de James Jones ou diremos antes Kris Kristofersen, que interpreta a figura do escritor James Jones nesse filme espantoso de James Ivory “A Soldier’s Daughter Never Cries”/”Filha de Soldado nunca Chora”, que infelizmente passou de forma silenciosa nos nossos écrans.


"Lantana", o genial filme de Ray Lawrence!

Continuando sempre em actividade tanto em séries de televisão como “Chicago Hope”, “The Mountain”  ou “Era Uma Vez” / “Once Upon a Time” e mantendo a sua presença em telefilmes e películas distantes das Majors, vamos descobri-la numa das melhores películas realizadas neste novo século e intitulada “Lantana”, da responsabilidade de Ray Lawrence, uma produção australiana, que nos retrata uma história de equívocos e suspeitas, numa verdadeira teia de aranha, fruto perfeito de coincidências e de más interpretações, provocadoras de um fim inevitável, em que não há culpados mas suspeitos. A interpretação de Barbara Hershey é inesquecível na pele da psicanalista Valerie Somers, que não encontra resolução para as suspeitas que a atormentam, até que um dia a tragédia provocada pelo medo, irá trazer a solução final.




Mantendo um Low profile nas escolhas dos filmes em que participa Barbara Hershey, também quis dar o seu contributo  a uma das melhores séries de sempre da televisão, estamos a falar dessa incontornável personagem criada por Agatha Christie e que se chama Hercule Poirot, assim iremos encontrá-la no famoso filme “Um Crime no Expresso do Oriente” / “Murder on the Orient Express” da série Agatha Christie's Poirot, que tem em David Suchet o intérprete de eleição, como todos sabemos.

Barbara Hershey permanece uma das grandes Damas do Cinema Norte-Americano e viajar com ela, através dos seus filmes, é uma verdadeira paixão cinéfila!

The End

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