sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Barbara Hershey – Parte 1


"Hannah and Her Sisters" / "Ana e as Suas Irmãs"

Barbara Hershey não é um nome desconhecido dos amantes do cinema e a sua figura, por vezes tão frágil, tem sido uma constante ao longo dos anos, mesmo quando nos recordamos desse filme fabuloso chamada “Lantana” de Ray Lawrence, que passou perfeitamente despercebido do grande público apesar de ser um perfeito observatório da complexidade das relações humanas.


A sua filmografia é bastante extensa, assim como as suas participações no pequeno écran onde o número de filmes e séries é elevado. “Last Summer” / “O Verão Passado” (1969) de Frank Perry, “The Babymaker”  (1970) de James Bridges ou esse extraordinário “Boxcar Bertha”/”Uma Mulher da Rua” (1972) do então desconhecido Martin Scorsese, são algumas das mais notadas películas de início de carreira, onde a sua jovem imagem a ia conduzindo ao longo do celulóide, acabando por ser “The Stunt Man – O Fugitivo” (1980) de Richard Rush a marca da sua transição para o estado adulto de mulher madura, como foi referido por ela na época, nascendo então a actriz que todos conhecemos. Na época tentaram fazer dela uma Star à moda de Hollywood, mas Barbara Hershey resistiu confessando, na época, como “por vezes era tão aborrecido ser-se bonita”.


"Last Summer" / "O Verão Passado"


Barbara Hershey, desde muito jovem, sentiu esse impulso interior de representar papéis alheios à sua vida, preenchendo um espaço criado por outros, dando-lhe vida. Era isso que sentia quando ia ao cinema (cumprindo esse “estado de alma” que Woody Allen tão bem retratou em “A Rosa Púrpura do Cairo” / “The Purple Rose of Cairo”) ou quando devorava as páginas de livros que lhe “caíam” nas mãos.


"Boxcar Bertha" / "Uma Mulher da Rua"
(um filme magnifico realizado por Martin Scorsese)

“The Entity”/”O Ente Misterioso”  (1982) de Sidney J. Furie, acaba por ser a primeira película em que Barbara Hershey surge como nome sonante do cartaz e o filme, “vagueando” entre o terror, a família e as ciências ocultas acabava por ser uma verdadeira surpresa, transportando consigo a memória da série-B. Mas seria nessa epopeia espacial de nome “Os Eleitos” / “The Right Stuff” (1983), realizada por Philip Kaufmann, que ela surge pontuando a sua condição feminina numa “película de homens”: os astronautas, primeiros viajantes desse imenso território que rodeia o nosso planeta azul. Nesta genial e inesquecível película, Barbara Hershey está ao lado de Sam Shephard, revelando todas as suas potencialidades, sendo a sua figura portadora de um magnetismo indesmentível, aliás bem patenteado na memorável sequência da corrida a cavalo através do deserto.


"The Entity" / "O Ente Misteriosos"


O apelo da grande metrópole nova-iorquina também se fez sentir nela e em 1985 decidiu mudar-se para a margem do rio Hudson com o seu filho Tom de 13 anos, cujo pai é David Carradine, com quem viveu durante largos anos numa roulotte, sendo ambos conhecidos como os “hippies de Hollywood”, curiosamente o nome dado inicialmente ao filho de ambos foi Free e só quando decidiu partir para Nova Iorque é que alterou o nome do seu descendente.

A sua admiração por Woody Allen já vinha de longe, considerando-o o argumentista/cineasta desejado por qualquer actriz, tendo em conta o talento com que ele caracteriza as suas personagens femininas e foram muitas as actrizes que ficaram a dever a sua carreira ao realizador. Com “Hannah e as Suas Irmãs”/”Hannah and Her Sisters” (1986) chegou a vez de Barbara Hershey se estrear ao lado de Woody Allen, que nunca escondeu a sua simpatia pela actriz, ao mesmo tempo que estudava o comportamento da actriz dentro e fora do “set”, como é seu hábito.


"The Right Stuff" / "Os Eleitos"
Sam Shepard e Barbara Hershey

Esta película maravilhosa de Woody Allen que se inicia no famoso dia de Acção de Graças e termina um ano depois, no mesmo dia da famosa comemoração norte-americana, revela-se como o retorno ao universo familiar, não na linha bergmaniana de “Interiors”/”Intimidade”, mas sim no interior daquilo a que se chamou um compromisso entre a primeira fase do cineasta, sendo o humor o pólo atractivo, embora como não podia deixar de ser, um certo criticismo da chamada segunda fase, psicanalítica, também esteja presente, retomando esse caminho da complexidade das relações humanas, que Woody Allen sempre soube retratar com perfeição nos seus filmes.


"Ana e as Suas Irmãs" / "Hannah and Her Sisters"

Manhattan, como não poderia deixar de ser, é o cenário (magnificamente retratado por Carlo di Palma), uma maravilhosa história de família com paixões, adultérios e muito amor para oferecer. A personagem interpretada por Barbara Hershey é profundamente comovente e a relação que estabelece com o cunhado Elliot (Michael Caine) é o verdadeiro motor do filme, apesar de todas as outras histórias que se vão cruzando, como era habitual nas películas de Woody Allen desse período.

(continua)

2 comentários:

  1. Dei por ela no «Ana e a suas irmãs». Inolvidável.

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    1. A personagem dela no "Ana e As Suas Irmãs" de Woody Allen é inesquecível, tal como a de Michael Caine.

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