domingo, 21 de agosto de 2016

Werner Schroeter – (1945 – 2010)


Isabelle Huppert no inesquecível "Malina"

Werner Schroeter nasceu a 7 de Abril de 1945 em Georgenthal, na Turíngia/Alemanha e após ter estudado psicologia, dedicou-se ao jornalismo, sentindo desde cedo o apelo do cinema e da ópera. As suas primeiras obras, rodadas em 8 mm (curtas-metragens) possuíam em Maria Callas a sua Diva de eleição, ao cruzar-se com o cineasta Rosa von Praunheim, viu nascer o desejo pelo cinema experimental, ao mesmo tempo que dedicava grande parte do seu tempo ao Teatro, optando por encenações de vanguarda.


 Maria Callas em "Maria Callas Portrait"

Ao longo dos anos foi dividindo a sua actividade entre o cinema e o Teatro, descobrindo para o primeiro essa estrela tão sua, chamada Magdalena Montezuma, oferecendo ao cinema uma linguagem operática e um estilo inconfundível, sendo de imediato detectada a sua marca de autor.
Se no teatro deixou a sua marca inconfundível ao encenar obras como “Salomé” de Oscar Wilde, “Lucrezia Borgia” de Victor Hugo, “Menina Júlia” de Strindberg, seria em Veneza que realizaria o seu sonho de encenar o “Lohengrin” de Richard Wagner.


 Werner Schroeter

Em finais dos anos setenta, referiu-se desta forma à sua geração, de que foi um dos expoentes:”Fiz os meus primeiros filmes em plena confusão ideológica e artística. Estávamos cheios de esperança e pensávamos que uma nova estética – talvez até uma nova sociedade – ia muito em breve surgir à luz do dia. Parecíamos que tudo era possível. Tentámos coisas que ninguém teria ousado fazer uns anos antes.” E na verdade o seu cinema, utópico e operático, irá oferecer-nos isso mesmo ao longo do tempo, sempre com o artifício da morte bem presente.


Magdalena Montezuma em "A Morte de Maria Malibran" /
"Der Todd der Maria Malibran"

Em 2009 recebeu o Leão de Ouro no Festival de Veneza, como prémio de carreira, tendo nesse mesmo ano assinado a sua última obra “Nuit de Chien” / “Esta Noite”, rodado em Portugal, país com quem manteve uma relação bem estreita.

“Eika Katappa” e “Der Tod der Maria Malibran” são duas películas da sua filmografia bem patentes da genialidade deste cineasta alemão, falecido a 13 de Abril de 2010, vítima de doença prolongada, que nos deixou uma obra cinematográfica única e que bem merece ser redescoberta.

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