quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Steven Spielberg – O Vendedor de Sonhos – Parte 6


"A Lista de Schindler" / "The Schindler's List"

Após a publicação do livro escrito por Thomas Kenealy intitulado “Schindler’s List”, o primeiro cineasta a mostrar de imediato interesse em levar a obra ao grande écran foi o veternano Billy Wilder, que assim pretendia fechar com chave de ouro a sua filmografia, mas o poder económico de que era detentor Steven Spielberg levou a melhor e, pela primeira vez na sua vida como realizador, Steven Spielberg irá utilizar o preto e branco para dar um sentido ainda mais realista a este filme que, baseado numa história acontecida em pleno período nazi, mas desconhecida do grande público, irá deixar as plateias de todo o mundo a interrogarem-se como foi possível, em pleno século XX, o Horror falar daquela maneira.


Ralph Fiennes e Liam Neeson
(dois actores esquecidos pela Academia)

Como alguns sabem, a poderosa Indústria Alemã sempre apoiou Hitler desde que este chegou ao poder em 1933 e “A Lista de Schindler” / “Schindler’s List” narra-nos precisamente a história de um desses industriais, chamado Oskar Schindler, membro do Partido Nazi, que utiliza a denominada obra de mão “barata” nas suas fábricas, mas que um dia descobre qual o destino que foi traçado para todos os judeus pelo poder do Terceiro Reich e ao perceber que, enquanto eles estiverem a trabalhar sobre a sua alçada, não são enviados para os campos de concentração, onde o horror e a morte os aguarda, decide contratar o máximo número de judeus e deste modo irá conseguir salvar cerca de 1100 vidas.


O retrato que nos é oferecido por Steven Spielberg numa realização e direcção de actores inesquecível e com um elenco onde todos são brilhantes, desde os protagonistas até ao mais secundário dos personagens, levou a que a Academia de Hollywood se rendesse definitivamente ao seu talento e lhe atribuísse sete Oscars, incluindo o de Melhor Filme e Melhor Realização. Finalmente, o vendedor de sonhos triunfava com um filme realista que os espectadores de cinema a interrogarem a memória sobre o passado, ainda recente, para que a História nunca mais se repetisse, mas infelizmente a memória dos homens é cada vez mais selectiva.


Julianne Moore em "The Lost World: Jurassic Park"
/ "O Mundo Perdido: Jurassic Park"

Steven Spielberg foi um daqueles cineastas que sempre se recusou a fazer sequelas dos seus filmes, mesmo depois de o êxito de “E.T.” e de terem sido escritas novas aventuras do mais belo extraterrestre. Com “E.T. – No Planeta Verde”, em que este é agricultor e ecologista, o cineasta não se entusiasmou, mas quando leu o novo livro de Michael Crichton, dando continuidade a “Parque Jurássico”, com o best-seller “The Lost World”, pela primeira vez Steven regressou ao tema dos dinossauros então muito em voga, não nos esqueçamos que já tinha nascido o filme de animação “Em Busca do Vale Encantado” / “The Land Before Time” de Don Bluth, em que eles eram protagonistas e Heróis.


Mais uma vez as receitas não se fizeram esperar e o filme entrava no “box-office” a velocidade supersónica. Na realidade, alguns ficaram admirados pela temática escolhida por Steven, após a feitura de “A Lista de Schindler” mas, para esses, o “wonder-boy” teve uma resposta intitulada “Amistad”!

(continua)

2 comentários:

  1. Spielberg para mim é o realizador que se preocupa com a ética ainda...
    No meio dum mundo de hipocrisia e egocentrismo, que ignora a ideia da justiça e da 'moral' a sério.

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    1. Subscrevo as suas lúcidas palavras e após ter lido muito recentemente o "Diário Mínimo II" e o "Número Zero" do Umberto Eco, (uma das mais inconformadas vozes sobre o mundo recente que nos rodeia), sinto-me cada vez mais distante da ideologia deste século XXI e no que diz respeito ao cinema de autor, tudo indica que não irá deixar descendentes, infelizmente.
      Obrigado pela visita e comentário.

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