segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Steven Spielberg – O Vendedor de Sonhos – Parte 2

“Tubarão” foi o primeiro “blockbuster” da história do cinema e, não nos podemos esquecer, que estamos perante uma obra onde o terror é dono e senhor do espectador. Se visitarem o Parque Temático da Universal em Hollywood podem encontrar o célebre Tubarão durante a viagem a atacar-nos (é bem divertido!), mas voltemos ao Steven Spielberg.
“Jaws” foi o primeiro grande êxito comercial de Steven Spielberg, transformando o “wonder-boy” e os seus filmes futuros em inquilinos definitivos da lista de películas mais vistas de sempre nos EUA e com a respectiva facturação a surgir na “box-office”, de forma surpreendente.


No ano de 1977 nascem “Encontros Imediatos de Terceiro Grau” / “Close Encounters of the Third Kind” e o cinema assume o seu carácter de magia, com a imagem de cientista francês interpretado por François Truffaut. O cineasta francês não dominava o inglês, mas Steven Spielberg queria tanto que ele participasse no filme, que a personagem foi moldada à sua imagem, falando sempre francês ao longo da película e todos sabemos como François Truffaut se sentiu feliz em participar no filme de Steven Spielberg.


 François Truffaut interpreta o cientista fascinado com
"Encontros Imediatos de Terceiro Grau"/"Close Encounters of Thrid Kind"

Os terrenos do menino-prodígio pareciam que estavam delineados, abordando o filme de terror e a antecipação/ficção cientifica, mas a comédia também estava no seu horizonte e “1941-Ano Louco em Hollywood”/ “1941”  é o novo caminho, onde já se faz sentir a mão de Robert Zemeckis (o argumentista da película e futuro cineasta com uma magnifica carreira), com essa dupla fabulosa, formada por Dan Akyroyd e John Belushi, digna herdeira dos irmãos Marx.
”1941” é o retrato da histeria em que viviam os americanos depois do ataque japonês a Pearl Harbour. Toda a película é uma perfeita loucura, mas dois momentos são dignos de destaque: o início do filme com a citação a “Tubarão”, com o terror a dar lugar à comédia e, por outro lado, toda a sequência em que Robert Stark, sentado na sala de cinema, olha como uma criança fascinada as imagens de “Dumbo” do Mestre Walt Disney, enquanto lá fora o caos está instalado.
Tudo indicava que estávamos perante um grande sucesso de público, mas aconteceu precisamente o contrário e pela primeira vez, tendo em conta os resultados de bilheteira, a carreira de Steven Spielberg esteve à beira do abismo.


Uma das comédias mais loucas e fascinantes
da História do Cinema, que é urgente (re)descobrir!

Após “1941-Ano Louco em Hollywood”, o argumentista Robert Zemeckis parte para a realização e Steven Spielberg é o produtor do seu primeiro filme “Travões Avariados, Carros Estampados” / “Used Cars”, com Kurt Russell no protagonista, uma hilariante comédia em que os carros de “competição” são os principais intérpretes, dando assim Steven Spielberg inicio à actividade de produtor/descobridor de jovens talentos.

Por essa altura, George Lucas encontrava-se bastante aborrecido atrás da câmara, decidindo abandonar a realização, ficando “só” com a produção da sua “Guerra das Estrelas”.


 Karen Allen e Harrison Ford em
"Os Salteadores da Arca Perdida"/"Raiders of the Lost Ark"

Do encontro Lucas/Spielberg, ou seja “ILG” e “AMBLIM”, nascem “Os Salteadores da Arca Perdida” / “Raiders of the Lost Ark” e a personagem Indiana Jones, o novo herói dos anos oitenta, com um Harrison Ford em plena forma a tentar ocupar um lugar que no Cinema Clássico poderia perfeitamente ter pertencido a Cary Cooper ou Errol Flynn.
É o perfeito delírio que se instala nas salas de cinema, o sofrer do espectador com as aventuras do Dr. Jones, o gritar, o aplaudir (1), o “alívio” quando por uma “unha negra” o herói se salva, levando a bela rapariga (Karen Allen) com ele. Estava criada a aventura, no seu sentido mais puro, da inocência e perdição, consumida por todos até ao último fotograma.


Assim nasceram as aventuras do célebre Indiana Jones!

(1) - O público norte-americano, neste género de filmes, tem por hábito manifestar-se perante as situações que se vão desenvolvendo no écran. Por outro lado é extremamente curiosa a designação de “movies” para este tipo de cinema, enquanto no respeitante ao denominado cinema de “Arte e Ensaio” é usada a designação de “films”.


(continua)

2 comentários:

  1. Filmes fantásticos, que não deixam de ter qualidade mesmo estando na categoria "blockbusters"!

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    1. Concordo em absoluto, a qualidade cinematográfica também pode habitar um "blockbuster":)

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