quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Steven Spielberg – O Vendedor de Sonhos – Parte 8


"A.I. - Inteligência Artificial"

Stanley Kubrick, o cineasta que sempre procurou ser mais-que-perfeito na realização dos seus filmes, um dia ficou fascinado por um conto de Brian Aldiss intitulado “Supertoys Lost Summer Long” e durante dez anos trabalhou na sua produção, decidindo entregar a realização a Steven Spielberg, assim iria nascer “A.I. – Artificial Inteligence” / “A. I. - Inteligência Artificial”. Entramos assim no famoso universo da robótica, onde iremos conhecer um dos seus criadores, o Professor Hobby (William Hurt), que cria um robot-criança capaz de exprimir sentimentos, como se fosse um ser humano.


Jude Law oferece rosto, corpo e voz a Gigolo Joe,
uma interpretação genial que bem merecia um Oscar!

Ao longo da película iremos acompanhar a história de David (Haley Joel Osment), um nome bem Bíblico, no seu novo lar, até chegar esse momento em que é abandonado na floresta, para se cruzar com o inesquecível Gigolo Joe (Jude Law merecia o Oscar pela sua inesquecível interpretação), um robot criado para dar prazer ao sexo oposto, mas que é obrigado a fugir, após uma das suas clientes ser encontrada morta. A esta dupla improvável, que vive escondida na floresta, irá juntar-se um pequeno urso, também ele um robot brinquedo. Mas David deseja ardentemente conhecer o seu criador e depois de descobrir o selvagem mundo dos seres humanos em “Rouge City”, consegue encontrar o seu “pai”: o Professor Hobby na Cybertronics/Mecha, mas ao descobir que é apenas mais uma das muitas crianças-robots à espera de serem lançadas no mercado, decide fugir e partir com o seu amigo urso em busca dessa fada, que o irá conduzir aos braços da sua mãe. Mas esse seu desejo só irá ter lugar num universo pós-apocaliptico.


Haley Joel Osment e Jude Law na City Rouge,
no fabuloso filme da dupla Stanley Kubrick e Steven Spielberg.


Nesta película genial do universo da ficção-cientifica, uma obra-prima do género, é bem patente onde começa e termina a intervenção do Mago Stanley Kubrick (o cineasta/produtor faleceu durante a feitura do filme) e onde surge a famigerada assinatura de Steven Spielberg.


Steven Spielberg e Stanley Kubrick

Pela primeira vez na sua carreira, Steven Spielberg irá fazer dois filmes de ficção-cientifica quase em simultâneo, contando desta vez com a preciosa ajuda do actor Tom Cruise e da sua casa produtora, para edificar o espantoso “Relatório Minoritário” / “Minority Report”. 
Partindo de uma “short-story” do famoso Philip K. Dick (autor cujo nome foi introduzido na memória de todos os cinéfilos após Ridley Scott ter realizado “Blade Runner”), Steven Spielberg realiza um filme profundamente sombrio, de cores quase tenebrosas, bem distantes  de “A.I.: Artificial Intelligence”.


“Minority Report”/”Relatório Minoritário” situa-se no ano 2054, num futuro em que os criminosos são presos antes de cometerem os seus crimes, possibilitando desta forma a diminuição do número de mortes violentas.



Samantha Morton e Tom Cruise em
"Relatório Minoritário" / "Minority Report".

Nesta missão, a polícia é ajudada por três “precogs” geneticamente criados para esse fim e trabalhando sempre em conjunto nas informações criadas e dizemos criadas porque, um dia, o oficial John Anderton (Tom Cruise) é acusado de ser um futuro criminoso e em vez de aceitar a “verdade dos factos”, decide fugir e tentar descobrir as razões que o irão levar a cometer um crime. Nessa luta, votada ao fracasso, irá contar com a ajuda de um dos “precogs” que, pela primeira vez, irá elaborar a sós a sua informação, criando o famoso “relatório minoritário”, repositor da verdade inconveniente e inoportuna, porque irá colocar em causa as regras do jogo, que as entidades políticas tinham decidido criar.


"Minority Report" / "Relatório Minoritàrio"

Filmando com mestria, mais uma vez Steven Spielberg constrói uma obra sufocante, ao mesmo tempo que oferece a Tom Cruise uma das suas grandes interpretações. Embora a película não tenha feito o sucesso esperado por muitos, ela provou que, mais uma vez, o “wonder-boy” não se tinha rendido por completo ao “Hollywood System”, apesar de contar na produção da película com uma estrela chamada Tom Cruise, possuidora de uma poderosa máquina de propaganda em seu redor.

(continua)

2 comentários:

  1. Dois filmes fantásticos para a ficção científica. Que obra mais extraordinária teria sido A.I. se terminada pelo Kubrick!

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    1. Curiosamente o argumento do filme "Relatório Minoritário" revela-se superior à short-storie de Philip K, Dick, mas também sem ela não haveria filme.
      Já no respeitante a "A.I. - Inteligência Artificial" é bem notório o que pertence a Kubrick e o que possui a mão de Spielberg e concordo consigo, se Kubrick estivesse vivo, o filme seria bem diferente, no entanto a película permanece uma obra-prima do cinema de ficção-cientifica.

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