sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Steven Spielberg – O Vendedor de Sonhos – Parte 10



Trinta anos depois do nascimento do fenómeno “blockbuster”, Steven Spielberg anuncia a feitura de “A Guerra dos Mundos” / “War of the Worlds”, o célebre livro de H.G.Wells, que se tornou mais que famoso graças à emissão radiofónica de Orson Welles que fez a América entrar em pânico. Esta famosa obra literária já tinha sido levada ao grande écran através do produtor George Pal, sendo o realizador Byron Haskins e curiosamente Steven Spielberg convidou dois dos actores desse mesmo filme para surgirem nesta nova versão que irá ter Tom Cruise como protagonista e a um excelente nível interpretativo como é seu hábito, encontrando-se o espectador, mais uma vez, perante uma família disfuncional, pais separados e filhos com uma péssima relação com o pai, aliás algo que iremos encontrar ao longo da filmografia do cineasta.


Magnifica adaptação cinematográfica
do clássico de H. G. Wells!

Mais uma vez o contributo da Industrial Light and Magic de George Lucas é fundamental para o sucesso da película, veja-se bem a eficácia com que nos é apresentada a chegada dos extra-terrestres, espalhando a destruição e o medo entre a população de New Jersey e provocando o caos na América. E estes Aliens à muito que se encontravam na Terra à espera da sua oportunidade para subjugar a raça humana.
Iremos assim acompanhar o percurso de Ray Ferrier (Tom Cruise), na companhia dos seus filhos Rachel (Dakota Fanning) e Robbin (Justin Chatwin), por uma América devastada e derrotada, até chegar esse momento em que é descoberta a vulnerabilidade dos invasores do Planeta Terra.


“A Guerra dos Mundos” / “War of the Worlds” apresenta-se com um dos melhores filmes da carreira de Steven Spielberg, continuando a instalar o medo no espectador, mesmo quando ele já conhece o filme, terminando por demonstrar que Steven Spielberg, o “wonder-boy”, estava de regresso ao sucesso!


"Munique" / "Munich"
o retrato de uma época.

Nunca é demais referir que ao longo da sua carreira Steven Spielberg desenvolveu um imenso trabalho dando o seu contributo a inúmeras películas tanto como produtor, como produtor executivo, fosse para o grande écran, como para “a caixa que mudou o mundo”, vulgarmente conhecida como televisão, mas do que não se estava à espera era que o seu novo filme fosse abordar um acontecimento politico ocorrido em 1973 nos Jogos Olímpicos de Munique, quando um comando palestiniano raptou e matou inúmeros atletas da delegação de Israel, que ali se encontravam para participar nos Jogos. Como alguns devem ainda estar recordados a resposta de Golda Meir (Primeira-Ministra de Israel) não se fez esperar, afirmando que os culpados seriam apanhados.


“Munique” / “Munich” trata precisamente da história desse atentado e da forma como foi criado o comando israelita que procedeu ao ajuste de contas com os responsáveis pelo atentado, utilizando métodos “à margem de qualquer lei do Estado”. O grupo que irá ser constituído apenas por cinco elementos, irá ao longo dos anos viajar pelo mundo inteiro, eliminando os responsáveis pela operação de Munique, revelando aqui Steven Spielberg todo o seu saber ao construir um verdadeiro “Thriller” político, com profundas raízes Hitchcockianas, onde vamos descobrindo lentamente como funcionava o submundo da espionagem e esse limbo em que se movimentavam os grupos extremistas que, na década de setenta, circulavam na Europa Ocidental. Baseando-se sempre em factos históricos, Steven Spielberg constrói uma obra memorável, que se revela um magnífico testemunho desses tempos conturbados em que o mundo vivia.


O sempre magnifico Michael Londsdale,
no jogo do rato e do gato dos informadores.

Mas ao contrário do que seria expectável, o público não demonstrou grande interesse neste novo filme de Spielberg, ao contrário do que sucedera com “A Guerra dos Mundos” / “The War of the Worlds” e mais uma vez a fria linguagem dos números se fez sentir e Steven Spielberg decidiu vender a sua participação na “Dreamworks”, ao mesmo tempo que anunciava o regresso ao seu herói mais famoso: Indiana Jones estava de regresso!

(continua)

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