sábado, 13 de agosto de 2016

Steven Spielberg – O Vendedor de Sonhos – Parte 11


Karen Allen, a heroína do primeiro filme,
regressa no quarto capítulo de Indiana Jones.

Quando vimos pela primeira vez “Indiana Jones” no grande écran, a memória cinéfila conduziu-nos de imediato aos primórdios da Sétima Arte e ao célebre cinema de aventuras, que emocionava as plateias que vibravam com os heróis que iam surgindo na tela, avisando muitas vezes o protagonista da chegada dos vilões, mas quando George Lucas e Steven Spielberg decidiram retomar as aventuras do intrépido Dr. Henry Jones (Harrison Ford), tinham passado 14 anos sobre a última vez que nos cruzámos com ele, sendo de imediato enorme a expectativa que rodeou a estreia de “Indiana Jones e o Reino da Caveira Perdida” / “Indiana Jones and The Kingdom of The Crystal Skull”.



Cate Blanchett, essa maravilhosa actriz camaleão em
"Indiana Jones e o Reino da Caveira Perdida" /
"Indiana Jones and The Kingdom of The Crytal Skull".

Desta feita, o habitual inimigo de Indiana Jones foi substituído, estabelecendo-se a acção da película em pleno período da Guerra Fria, para assim conhecermos Irina Spalko (Cate Blanchett, sempre magnifica), que irá travar forças com o herói em busca desse El Dorado que é o Reino da Caveira Perdida. Mas a película, apesar de todo o excelente trabalho da Industrial Light and Magic de George Lucas; de fazer a ponte com o primeiro filme, através do aparecimento de Karen Allen, na personagem de Marion; de conhecermos o filho do Dr. Henry Jones, que de imediato nos recorda o Marlon Brando de "Hell Angels”; de Harrison Ford dar excelente conta do recado, brincando até com o próprio envelhecimento da personagem, percebemos que há algo que não funciona no sentido de nos oferecer a aventura no seu estado mais cristalino ou se preferirem essa ingenuidade dos heróis, cativante do espectador de cinema e tudo porque segundo a nossa opinião a película se apresenta demasiado palavrosa e com uma necessidade de tudo explicar, esquecendo que a elipse é um dos artifícios mais importantes do cinema.


O Tintin de Steven Spielberg e Peter Jackson!

Ao entrarmos na nova década Steven Spielberg anunciou, com pompa e circunstância, a produção de três filmes de Tintin, a famosa personagem da banda desenhada criada por Hergé, surgindo associado a este projecto o cineasta Peter Jackson que, como todos sabemos, ficou mais do que famoso ao realizar a Trilogia de “O Senhor dos Anéis” / “The Lord of the Rings”, sendo o processo criativo idêntico ao inaugurado por Robert Zemeckis com o genial “Polar Express”.


"Tintin e o Misterio das Laranjas Azuis" / "Tintin et les Oranges Blues",
Tintin (Jean-Pierre Talbot) e o capitão Haddock (Jean Bouise), 
um filme inesquecível para quem o viu, como eu, fan de Tintin!


"As Aventuras de Tintin - O Segredo do Licorne" 
de Spielberg / Jackson.

Para aqueles que como eu ainda se recordavam do filme de Philippe Condroyer, realizado em 1964, intitulado “Tintin e o Mistério das Laranjas Azuis” / Tintin et les Oranges Bleues”, com o jovem Jean-Pierre Talbot a dar rosto a Tintin e Jean Bouise a vestir a pele do excêntrico Capitão Haddock, ficaram certamente desiludidos com o processo criativo escolhido pela dupla Spielberg/Jackson e curiosamente devido à fraca resposta dada pelo grande público a “As Aventuras de Tintin – O Segredo do Licorne” / “The Adventures of Tintin”, a feitura dos dois restantes filmes programados tenha sido adiada, tendo Peter Jackson partido para a realização da Trilogia de “O Hobbit” e Steven Spielberg para filmar “Cavalo de Guerra” / “War Horse”, uma película bem assente na tradição do cinema britânico, onde o realismo é uma mais valia, acompanhamos a história de um cavalo, que é vendido para a cavalaria ao eclodir a Primeira Grande Guerra, levando o jovem Albert Narracolt (Jeremy Irvine) a alistar-se, na esperança de reencontrar o seu amado cavalo.


"Cavalo de Guerra" / "War Horse",
um magnifico filme, que merece ser (re)descoberto!

“Cavalo de Guerra” / “War Horse”, que não foi bem recebido pelo público nem pela crítica, é uma daquelas películas que é urgente reavaliar, pois estamos perante uma produção sem mácula, que nos reenvia para esse maravilhoso cinema clássico, que atraía multidões às salas de cinema. Steven Spielberg oferece-nos aqui uma das suas obras mais secretas, que é urgente redescobrir!


(continua)

2 comentários:

  1. Revi Cavalo de Guerra há pouco tempo, na televisão. "Apanhei-o" por acaso e fiquei a ver. Gostei bastante.

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    1. Penso que um dos segredos de "Cavalo de Guerra" reside na magnifica produção britânica da película, algo em que os ingleses são perfeitos, basta recordar os seus filmes e séries de época, para percebermos que Steven Spielberg conseguiu aliar o seu enorme talento, a este género de produção, sempre tão cuidada e exigente.
      Obrigado pela visita e comentário, uma boa semana :)

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