quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Steven Spielberg – O vendedor de Sonhos – Parte 7


Djimon Hounsou em "Amistad", o sabor da liberdade!

O mais célebre motim a bordo de um navio é, como todos sabemos, “A Revolta na Bounty”, escrito por Sir John Barrow e levada ao cinema por diversas vezes, primeiro tivemos o duelo Clark Gable e Charles Laughton, depois surgiu Marlon Brando e Trevor Howard (recorde-se que foi nas filmagens desta película que Brando encontrou o amor da sua vida) e por fim uma película infelizmente esquecida por muitos, que tinha como protagonistas Mel Gibson e Anthony Hopkins. Mas, desta feita não se trata do navio “Bounty”, mas sim de “Amistad” que, curiosamente, possui como elemento de ligação entre as duas películas o actor britânico Anthony Hopkins, que teve desta vez ao seu lado o sempre excelente Morgan Freeman (quem se lembra dele como figurante em “The River”/”O Rio” ao lado de outro figurante da altura, de seu nome Danny Glover?) e Sir Nigel Hawtorne, Matthew McConauhgey e o estreante Djimon Hounsou, que interpreta o papel do líder da revolta de escravos ocorrida no navio Amistad.


Anthony Hopkins e Matthew McConaughey em "Amistad"

E mais uma vez as cenas do julgamento dos revoltosos são preponderantes na película, não nos esqueçamos que esta revolta ocorreu em 1839, no período que antecedeu a Guerra-Civil Norte-Americana, cuja vitória dos Estados do Norte sobre os Estados do Sul irá levar à famosa abolição da escravatura, um tema tantas vezes retratado no cinema como em séries de televisão, como muito estão recordados, bastando falar em “E Tudo o Vento Levou” de Victor Fleming e Davis O’Selznick ou a serie “Norte e Sul” / “North and South”  (1985).
Embora seja um dos filmes, infelizmente, menos falados da obra de Steven Spielberg, “Amistad” merece ser (re)visto e (re)avaliado.


O realismo  do desembarque dos aliados
nas praias da Normandia é inesquecível!!!

Quando todos se interrogavam sobre qual seria o próximo filme do cineasta, fomos surpreendidos pelos inesquecíveis vinte minutos iniciais de “O Resgate do Soldado Ryan”/”Saving Private Ryan”, cuja acção nos coloca no interior do desembarque das forças aliadas na Normandia, durante a Segunda Guerra Mundial.


John Wayne em "The Longest Day" /
"O Dia Mais Longo" de 1962.

 O realismo introduzido na película foi de tal ordem, que todos nós ficámos perfeitamente cientes que esse célebre dia que mudou o rumo da História não foi propriamente uma “pêra doce”, e será sempre curioso comparar o filme de Spielberg com a superprodução “O Dia Mais Longo” / “The Longest Day” do produtor Darryl F. Zanuck, estreada em 1962 e que aborda precisamente o dia em que os aliados desembarcaram nas praias da Normandia, num filme repleto de estrelas de cinema e que contou com cinco realizadores, um deles o próprio Zanuck.


O Horror da Guerra, continua a perseguir a humanidade 
no século XXI, aqui uma imagem de "Saving Private Ryan" 
/ "O Resgate do Soldado Ryan" de Steven Spielberg.

Ao realizar “O Resgate do Soldado Ryan” / “Saving Private Ryan”, Steven Spielberg evita cair nesse mar de sangue, que certamente um cineasta como Sam Peckinpah teria introduzido, aliás Spielberg usa com toda a mestria o seu talento e conta com Janusz Kaminski (o director de fotografia de “A Lista de Schindler) a seu lado, criando o clima necessário para nos deixar perfeitamente consumidos por aqueles vinte minutos iniciais, demonstrando mais uma vez o Horror que representa a guerra.(1)
A história de “O Resgate do Soldado Ryan”, da autoria de Robert Rodat, é uma daquelas paisagens norte-americanas politicamente-correctas atraentes para uma longa faixa das plateias do cinema embora, para os cinéfilos, a visão deste filme recorde o “Four Sons” / “Os Quatro Filhos” de John Ford, datado de 1928.


Tom Hanks e Matt Damon em
"O Resgate do Soldado Ryan" / "Saving Private Ryan".

Uma mãe com os quatro filhos no teatro de operações da Segunda Grande Guerra, recebe no mesmo dia a notícia de que três dos seus filhos foram mortos, dois na Normandia e um na Nova Guiné. O general Marshall, perante uma situação destas, decide demonstrar toda a sua humanidade e dar ordens para ser enviada uma pequena unidade, composta por oito homens, para encontrar o soldado Ryan (Matt Damon) e enviá-lo para casa, para oferecer àquela mãe o conforto possível, com a presença no lar do único filho que lhe resta. Essa unidade, comandada pelo Capitão Miller (Tom Hahks), irá levar a bom termo a sua missão. Neste grupo iremos encontrar nomes tão distantes nas suas opções futuras como Edward Burns – hoje actor e realizador com muito a oferecer ao cinema, Vin Diesel – um dos novos ídolos dos filmes de acção; Paul Giamatti – o célebre Mr. American Splendor; ou Tom Sizemore: inesquecível em “Cercados”.


Steven Spielberg e Tom Hanks,
num momento da rodagem do filme.

Mais uma vez Steven Spielberg triunfava no seu território e novamente surpreendeu muitos ao realizar a seguir uma curta-metragem documental (21 min.) “The Unfinished Journey”, produzida para celebrar a passagem do milénio e contando com um narrador chamado Bill Clinton.

(1) - Francis Ford Coppola e o seu “Apocalipse Now” / “Apocalypse Now”, Terence Mallick e a sua “A Barreira Invisível” / “The Thin Red Line” e Samuel Fuller e o seu “O Sargento da Força 1” / “The Big Red One”, uma trilogia acerca da Guerra, que deixa o mais comum dos mortais a meditar acerca dessas “virtudes” da Guerra de que falava Clausewitz na sua “A Arte da Guerra”.

(continua)

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