quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Steven Spielberg – O Vendedor de Sonhos – Parte 5


Richard Dreyfuss e Holly Hunter
em "Always" / "Sempre".

Quando Steven Spielberg se aventurou no território romântico, deixou muitos surpreendidos. Embora optasse por fugir ao melodrama, decidiu refazer a comédia romântica, sempre tão em voga no eterno cinema clássico e ofereceu a Richard Dreyfuss o papel que outrora tinha pertencido a Spencer Tracy, ao mesmo tempo que convocou a famosa Audrey Hepburn (1) para surgir como estrela, nesse filme mágico que se chamou “Always”/”Sempre”. Recorde-se que Audrey Hepburn já tinha feito uma aparição lindíssima, por detrás dos seus óculos escuros, em “Romance em Nova Iorque” / “They All Laughed” de Peter Bogdanovich. Mas o romance de Dorinda (Holly Hunter) com Ted (Richard Dreyfuss), mesmo depois de ele morrer, através de uma outra alma gémea/enviada pelo destino é, na verdade, uma bela história de amor, com os habituais momentos de humor na personagem interpretada por John Goodman.


Irene Dunne e Spencer Tracy em "A Guy Named Joe"
a película da qual Spielberg fez o "remake"

Após “Always” / “Sempre”, muitos se interrogaram qual seria o próximo passo de Steven Spielberg, em virtude de a película não ter feito, propriamente, uma grande receita nas bilheteiras e como “1941” quase ditou o fim da carreira do “wonder-boy”, a América começou no ano de 1991 a ser invadida por um gancho acompanhado da palavra “Hook” e só depois se anunciou, numa estratégia comercial de grande alcance, que o famoso “Peter Pan” que Walt Disney nos tinha oferecido iria ser revisitado por Steven Spielberg. Na nossa memória permanecem bem vivas as personagens dessa história mágica de J. M. Barrie, um escritor que Johnny Deep irá dar rosto na película de Marc Forster, “À Procura da Terra do Nunca” / “Finding Neverland”.


Richard Dreyfuss e Audrey Hepburn
os mais belos momentos de "Always" / "Sempre".

Ao saber-se que os nomes desta nova aventura do cineasta eram os famosos Robin Williams, Dustin Hoffman, Julia Roberts e Bob Hoskins, transformou  a película numa aventura para toda a família. Adultos e crianças foram (re)ver a história de J. M. Barrie através de um olhar contemporâneo, já que Peter Pan (Robin Williams), adulto e com filhos, é obrigado a regressar à Terra do Nunca para resgatar as suas crianças das garras ou melhor, do gancho do Capitão Hook (um Dustin Hoffman irreconhecível e turbulentamente magnifico), que decide vingar-se do passado, continuando a ter a seu lado o “inteligente” Smee (Bob Hoskins), enquanto Peter Pan volta a encontrar a Fada Sininho (Julia Roberts). Mais uma vez Spielberg tinha jogado com o imaginário de todos nós e ganho a aposta.


Dustin Hoffman está soberbo em "Hook"!

A Academia continuava a reconhecer em Steven Spielberg um excelente “movie-maker” e um fabricante de “Blockbusters” perfeito, mas para ela o cineasta ainda não tinha chegado ao “ponto desejado” para ser reconhecido pelos seus membros.
Como todos sabemos as decisões da Academia produzem sempre polémicas e basta recordar o caso de Alfred Hitchcock, que nunca recebeu o Óscar para o Melhor Realizador enquanto esteve em actividade no meio cinematográfico ou o mais famoso dos “Maverick” chamado Orson Welles, sempre tão “perseguido” pelos seus pares, para percebermos as razões que levaram a Academia de Hollywood a criar o famoso Prémio do Oscar pela carreira, para colmatar as injustiças do passado.


Robin Williams em "Hook".

.Por outro lado, Steven Spielberg achava que ainda não tinha chegado o momento para colocar a Academia de Hollywood entre a espada e a parede e ao adaptar um romance de Michael Crichton, também ele já cineasta (“Westworld” / “O Mundo Oeste”, com Yul Breyner é inesquecível), decide levar ao grande écran “Jurassic Park”, abrindo uma verdadeira caixa da Pandora com o renascimento dos dinossauros no imaginário popular, narrando-nos a história de um grupo de cientistas que, a partir de DNA tirado de insectos que continham no seu interior, devidamente conservado, sangue de dinossauro, têm a ambição de reconstruírem esse mesmo passado, mais que longínquo, em que estes poderosos animais dominavam a face da terra.


"Parque Jurássico" / "Jurassic Park"

Apostando mais uma vez na magia da “Industrial Light and Magic” de George Lucas, Steven Spielberg constrói um filme que se irá tornar no mais perfeito “blockbuster”, criando uma verdadeira história de terror provocada por cientistas que perdem o controlo dos elementos que manipulam, ao mesmo tempo que mais uma vez o vector familiar, tão característico dos seus filmes, surge em perfeita “harmonia” com os elementos do período Jurássico.

Steven Spielberg mais uma vez triunfava nas bilheteiras, mas a sua próxima película iria mudar para sempre, a leitura que alguma crítica cinematográfica fazia dos seus filmes, ao mesmo tempo que a Academia de Hollywood iria ser obrigada a dar a “mão à palmatória”.


Laura Dern e Sam Neil 
em "Jurassic Park" / "Parque Jurrásico".

(1) - A imagem preferida de Audrey Hepburn, na nossa memória, pertence a essa novela escrita por Truman Capote e intitulada “Breakfast at Tiffany’s”, ao lado de um inesquecível George Peppard, apesar de o seu filme mais citado ser o maravilhoso “Sabrina”, com Humphrey Bogart e William Holden nos protagonistas, que muitos anos depois Harrison Ford, Julia Ormond e Greg Kinnear haveriam de homenagear, no “remake” de Sydney Pollack.

(continua)

2 comentários:

  1. Respostas
    1. "Always" é magnifico mas recomendo que veja também "A Guy named Joe" o filme do queal Spielberg fez o "Remake".

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