terça-feira, 16 de agosto de 2016

Paul Newman – (1925 – 2008)


Paul Newman conseguiu, ao longo da sua vida, juntar o talento ao glamour, mesmo quando em “A Golpada”/ “The Sting” surge de camisola interior e de chapéu na cabeça a planear esse grandioso golpe com o amigo de sempre, o actor Robert Redford. Aliás esta dupla, que também surgiu em “Butch Cassidy and the Sundance Kid” / “Dois Homens e Um Destino”, procurou nestes últimos anos um filme para o Paul se despedir da Sétima Arte, mas esse argumento tão ambicionado nunca chegou a surgir, para grande pena de todos.


Mas os filmes, esses 60 filmes em que participou como actor, oferecem-nos uma das mais belas trajectórias de um actor no cinema. Era miúdo quando encontrei pela primeira vez o actor nessa pequena caixa que mudou o mundo, nesse filme de Robert Rossen intitulado “The Hustler” / “A Vida é um Jogo” e nunca mais me esqueci do nome Eddie Felson, esse jogador de bilhar, que muitos anos depois iria reencontrar quando Martin Scorsese decidiu oferecer-lhe uma nova oportunidade em “The Color of Money” / “A Cor do Dinheiro”, com essa célebre tacada final em que ele diz “I’m Back!”.


Nunca lhe conheci um mau desempenho, sempre brilhante em todas as películas em que participou fossem elas filmes independentes, como o “Quintet” / “Quinteto”, realizado por  Robert Altman ou superproduções como “A Torre do Inferno” / “The Towering Inferno”. Depois temos o amor e admiração que Paul Newman sempre devotou à obra de Tennesse Williams, basta recordar “Sweet Bird of Younth”/ “Corações na Penumbra” ou  “Cat  on a Hot Tin Roof” / “Gata em Telhado de Zingo Quente”, oferecendo-nos interpretações memoráveis e também nunca nos podemos esquecer do cineasta que ele foi e dessa obra espantosa que ele dirigiu, intitulada “The Glass Menagerie” / “Jardim Zoológico de Cristal”, que nos deixa sempre à beira de um ataque de lágrimas. Uma obra-prima infelizmente tão desconhecida, como o magnifico “Mr. & Mrs. Bridge” do James Ivory, feito na companhia da sua mulher Joan Woodward, com quem constituiu um dos mais sólidos matrimónios de Hollywood e que dirigiu em quase todos os filmes que realizou.


Por vezes penso o que seria da adaptação cinematográfica de “Message in a Bottle” / “As Palavras que Nunca te Direi”, sem a sua presença, recordo que a sua personagem não existe no livro de Nicholas Sparks. Mas memorável foi o seu desempenho em “O Veredicto” / “The Veredict” do Sydney Lumet.
Mas, para além do actor, havia o homem sempre na primeira fila na defesa das grandes causas, ajudando os mais desfavorecidos. Paul Newman permanece vivo no coração de todos os espectadores do cinema, sejam eles cinéfilos ou não. Chegou a hora de terminar esta crónica e ir ver a “Cortina Rasgada” / “Torn Curtain” do Hitchcock, para assim poder dizer mais uma vez que Paul Newman permanece bem vivo na nossa memória.

2 comentários:

  1. Indiscutível como grande actor, mas também os mais belos olhos azuis da história do cinema!

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    1. Um dos maiores actores da História do Cinema, com os seus inesquecíveis olhos azuis e um talento único, sendo sempre de realçar o seu trabalho como cineasta, um verdadeiro autor, cuja obra é urgente (re)descobrir.

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