quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Francis Ford Coppola – Uma Viagem Cinematográfica – Parte 6


Quando o motorista que conduzia a viatura onde seguia o cineasta G. W. Murnau se despistou, o Cinema perdeu um dos seus maiores génios e também o autor dessa obra intitulada “Nosferatu”. Anos mais tarde ,a personagem criada por Bram Stoker na Literatura, seria adaptada por um outro génio do Cinema, desconhecido de muitos, de seu nome Tod Browning.
O seu “Drácula” ficou famoso para a História do Cinema de Terror e é com profunda nostalgia, que recordamos o conde com a sua capa, um Bela Lugosi então no seu apogeu. Depois a “Hammer” Britânica tomou bem conta do mito e Christopher Lee foi um verdadeiro Drácula, o perfeito gentleman, sempre perseguido por esse temível caçador de vampiros interpretado por outro gentleman de seu nome Peter Cushing.


O mito do conde da Transilvânia chegara ao écran para ficar, aterrorizando as plateias de todos os continentes, ora era Roman Polanski que decidia jogar a comédia com o mito em “Por Favor Não me Morda o Pescoço” / “Dance of the Vampires” ou Werner Herzog que retomava a herança de Murnau e realizava um novo “Nosferatu, o Fantasma da Noite / “Nosferatu: Phantom der Nacht”, com um Klaus Kinski inesquecível, para já não falarmos dessa versão em 3D assinada pela dupla Andy Warhol/Paul Morrissey intitulada “Sangue Virgem para Drácula” / “Blood for Dracula” (exibida em Portugal em formato 2D).
Perante uma herança tão repleta de referências e estilos, foi com uma certa surpresa que se soube que Francis Ford Coppola iria realizar uma nova versão do Mito.


Keanu Reeves em "Bram Stoker's Dracula"

Para surpresa de muitos, o novo filme de Coppola é uma obra profundamente fiel à Literatura Gótica, não só porque optou pela fórmula “Bram Stoker’s Dracula” como título, mas também pela forma barroca como realizou o filme, contando com um soberbo guarda-roupa da responsabilidade de Eiko Ishioka, ao mesmo tempo que entregava a direcção da segunda equipa ao seu filho Roman Coppola, o jovem cineasta de “GQ”.


Winona Ryder e  e o fabuloso Gary Oldman,
num filme profundamente Barroco e genial!

Desta feita a Winona Ryder aguentou a pressão, talvez devido ao sentido tranquilo de Keanu Reeves perante a turbulência controlada de Gary Oldman, num Drácula cheio de maneirismos, no bom sentido do termo, já que também ele tenta retomar o mito do “gentleman”, perante a inocência da sua jovem “presa”.
Já o Van Helsing interpretado por Anthony Hopkins terminou por fazer a diferença, em virtude de a sua personagem ser de tal intensidade que nos obriga quase a estar do lado das “trevas”, perante o duelo que se trava entre caçador e presa.


Helena Bonham-Carter e Kenneth Branagh
em "Mary Shelly's Frankenstein"

Após o sucesso de “Bram Stoker’s Dracula”, Francis Ford Coppola falou em adaptar para o cinema o famigerado livro de Mary Shelly, “Frankenstein”, baptizado de “Mary Shelly’s Frankenstein”, mas seria Kenneth Brannagh a assinar a obra, remetendo-se Coppola para o papel de produtor. Os meios oferecidos a Kenneth Brannagh foram imensos, mas o actor/realizador não conseguiu atingir o nível de Francis Ford Coppola em “Bram Stoker’s Dracula”, apesar de contar com o sempre excelente Robert de Niro, a interpretar a personagem criada por Mary Shelly.


O inconfundível Robin Williams em "Jack"
(temos saudades de o ver no grande écran!)

Quando Francis Ford Coppola assinou a feitura de “Jack” com Robin Williams no protagonista, muitos pensaram que o cineasta se tinha enganado no plateau.
A história de uma criança que possui envelhecimento precoce, embora tenha apenas dez anos no B.I., num corpo de quarenta anos, surpreendeu tudo e todos.
“Jack” acabou por se transformar mais num veículo para o conhecido e sempre excelente Robin Williams brilhar, do que um novo filme do grande cineasta, surgindo assim na sua filmografia como o tal filme menor, mas que é importante reavaliar.


O que se iria seguir na carreira de Francis Ford Coppola, após a recepção fria de “Jack”, era na verdade uma incógnita, mas ele regressou em grande forma com “The Rainmaker” / “O Poder da Justiça”, uma obra baseada num romance de John Grisham, então muito em voga e com inúmeros livros adaptados ao cinema, sendo o “Dossier Pelicano” e “A Firma” os mais famosos.
A simplicidade do argumento de “The Rainmaker” esconde uma série de linhas transgressoras, que fizeram desta obra do cineasta um ponto de referência, embora esquecido pela maioria dos espectadores de cinema.


Matt Damon em "The Rainmaker" / "O Poder da Justiça"

“O Poder da Justiça” / “The Rainmaker” trata da história de um jovem advogado que, ao lidar com pequenos casos, irá mergulhar na descoberta de uma teia elaborada por uma poderosa companhia de seguros, que não olha a meios para atingir os seus fins.
O jovem advogado é protagonizado por Matt Damon, numa das suas melhores interpretações, ao lado de um Danny de Vito que não deixa o seu saber por mãos alheias, criando ambos uma dupla inesquecível.

(continua)

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