sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Francis Ford Coppola – Uma Viagem Cinematográfica – Parte 8 – The End


Tim Roth, o protagonista de "Uma Segunda Juventude" /
 "Youth Without Youth"

O ano de 2007 iria surpreender tudo e todos com o regresso de Francis Ford Coppola à realização. Partindo de um livro de Mircea Eliade, o cineasta irá escrever o argumento e convidar para protagonistas Tim Roth e a alemã Alexandra Maria Lara, não recorrendo desta forma a nomes sonantes de Hollywood, já que o seu nome é suficiente para convidar as plateias a assistir ao seu regresso à realização.

Dominic Matei (Tim Roth) é um linguista que se encontra a escrever o livro da sua vida, mas que se encontra no célebre bloqueio do escritor, o que irá conduzi-lo a essa situação do tudo ou nada. E curiosamente o destino irá resolver o seu dilema imediato, já que ao ser atingido por uma raio termina por rejuvenescer ficando com a bonita idade de 35 anos. Por seu lado a equipa médica que o assiste no hospital não encontra explicação para o que está a suceder com ele.


Alexandra Maria Lara e Tim Roth

Ao sair da unidade hospitalar decide prosseguir o seu trabalho e quando encontra uma jovem mulher que lhe faz recordar a sua falecida esposa, sente que a juventude está de regresso. Mas a sua convivência com a jovem, que durante as noites vive outra existência, falando línguas desconhecidas, irá levá-lo a conviver com uma situação estranha, já que ela à medida que o tempo passa, começa a ser vitima de um envelhecimento precoce.

Francis Ford Coppola com este projecto bastante bem diferente de tudo o que se produz actualmente em Hollywood, acabou por surpreender muitos, sendo a reacção da crítica da especialidade, bastante moderada, para não dizer negativa, levando o grande público a afastar-se do filme. No entanto o cineasta referiu em diversas entrevistas que ao realizar a película se sentia a viver como o protagonista, uma segunda juventude, sentindo-se livre dos constrangimentos da máquina de produção dos grandes Estúdios, ao mesmo tempo que prometia aos seus fans que uma nova obra estava para vir sendo “Uma Segunda Juventude” / “Youth Without Youth”,  apenas o primeiro capítulo de uma obra que promete ser longa.


Aiden Ehrenreich, Sofia Castiglione 
e Vincent Gallo em "Tetro"

O cineasta entretanto decide deixar a América que o viu crescer, e fixar residência em Buenos Aires, para espanto de muitos, anunciando que se encontra a escrever um novo argumento, ao mesmo tempo que reafirma sentir-se livre como o vento e quando menos se esperava Francis Ford Coppola surge com a sua nova película, intitulada “Tetro”, que se revela um filme sem vedetas do “Planeta Hollywood” e contando com o rebelde Vincent Gallo no protagonista de um filme em que vamos conhecer a história do filho rebelde que foge da alçada do pai, um maestro dominador, refugiando-se nos bairros boémios de Buenos Aires.


Vincent Gallo e Maribel Verdú 

Muitos viram neste argumento da autoria de Francis Coppola, alguns traços biográficos até então desconhecidos de todos, mas a obra, apesar da habitual genialidade do cineasta possui um argumento com falta de “carpintaria” e para resolver o problema Coppola recorre mais uma vez à montagem, mas a solução encontrada termina por não se revelar a mais acertada. Muitos dos fans dos filmes do cineasta ficaram perplexos com o que viram no grande écran e os resultados de bilheteira foram na verdade demasiado magros, obrigando-o certamente a reflectir um pouco no caminho que decidiu seguir.


"On the Road" de Walter Salles

E ao entrarmos na presente década começou a falar-se que Francis Ford Coppola iria levar ao grande écran o mais que famoso “On the Road” de Jack Kerouac e de imediato as expectativas foram enormes, mas depois a realização foi entregue a Walter Salles, surgindo Coppola apenas como produtor executivo e o filme, que até teve um budget de 25 milhões de dollars, revelou-se um enorme fracasso de bilheteira e da crítica, ficando demasiado aquém do valor investido.


Val Kilmer em "Twixt" / "A Ilusão"

O ano de 2012 era para esquecer já que ao realizar “A Ilusão” / “Twixt”, com Val Kilmer no protagonista e com um argumento que nasceu num sonho do próprio cineasta, e que o irá transportar ao seu ponto de partida como cineasta ou seja o cinema de terror nas produções de Roger Corman. Francis Ford Coppola vai-nos convidar a seguir o percurso de um escritor em declínio, Hall Baltimore (Val Kilmer), que numa tournée de divulgação da sua última obra literária se vê envolvido no assassinato de uma jovem, e nessa mesma noite será abordado por um fantasma chamado V (Elle Fanning), que lhe irá dar a perceber como a verdade dos acontecimentos ocorridos tem imenso a ver com a sua própria vida


"Twixt" / "A Ilusão" sobre o signo de Edgar Alan Poe.

Francis Ford Coppola, um dos maiores “Movie-brats” do cinema e, em tempos passados, um dos “Mavericks” favoritos da indústria, deixou-nos uma obra que é urgente rever na sua totalidade, para que a sua leitura cinematográfica se revele uma daquelas prendas que só os cinéfilos amam perdidamente, comparando movimentos de câmara, montagem, direcção de actores e fotografia, na sua interligação entre as diversas películas, fruto de um verdadeiro cinema de autor, que continuamos a descobrir em cada novo visionamento dos seus filmes.
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 The End

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