quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Francis Ford Coppola – Uma Viagem Cinematográfica – Parte 5


Jeff Bridges em "Tucker - The Man and His Dream"

Francis Ford Coppola tinha regressado, definitivamente, ao interior da indústria e, com o apoio precioso de George Lucas, decide levar ao grande écran a história de um grande visionário que, tal como ele, foi simplesmente triturado pelo sistema porque tinha sonhado demais e no mundo em que vivemos os sonhadores perderam sempre a partida.


A história de Preston Tucker, um visionário do mundo automóvel, que após o fim da Segunda Guerra Mundial decide criar o carro do futuro, indo contra as companhias “institucionalizadas” é, na verdade, o espelho perfeito onde o cineasta se revê.
Ao realizar “Tucker – The Man and His Dream”, Francis Ford Coppola estava a escrever a sua própria história no mundo do cinema.
“Tucker” contou com um Jeff Bridges no seu melhor e o discurso final feito por este, em pleno tribunal, em que lhe é negado o direito da construção em série do seu modelo, é na verdade um discurso do próprio cineasta através da voz de uma personagem, seu alter-ego por excelência. Desta forma Coppola, através da sua arte e saber, trava o seu derradeiro combate com a indústria, triunfando em toda a linha.


Martin Scorsese, Woody Allen e Francis Ford Coppola,
o trio de cineastas de "New York Stories" / "Histórias de Nova Iorque"

O filme de “sketches”, muito praticado nos anos setenta (do século passado) na Europa, respectivamente em Itália e França, começou a ser olhado com interesse pelo cinema norte-americano e a decisão da produtora de Woody Allen e a de Steven Spielberg de fazerem em conjunto um filme tendo por tema a cidade de Nova Iorque, não se fez esperar, nascendo assim “New York Stories”/”Histórias de Nova Iorque”.
Recorde-se que Paris já tinha servido de tema a um conjunto de cineastas franceses, dando origem a “Paris vu par”.  


"Life Without Zoe", o segmento assinado
por Francis Ford Coppola

Os cineastas seriam Steven Spielberg, Francis Ford Coppola e Woody Allen, mas Spielberg acabou por ser obrigado a abandonar o projecto e seria Martin Scorsese o escolhido para o substituir (1). Francis Ford Coppola é o responsável pelo segundo episódio “Life Without Zoe”, cujo argumento é da autoria da então desconhecida Sofia Coppola, que também foi a responsável pelo guarda-roupa. E se Sofia Coppola hoje faz parte de um determinado universo cinematográfico, na altura passou completamente despercebida e o pior ainda estaria para vir. Na realidade, as aventuras mágicas de Zoe, filha de um célebre flautista, a viver a vida como se ela se tratasse de um conto de fadas, representa a ligação perfeita de dois universos cinematográficos distintos, embora haja neles esse lado familiar chamado Coppola.


Diane Keaton e Al Pacino em "O Padrinho III" / "The Godfather III"

Quando dizemos que o pior ainda estava para vir para Sofia Coppola, estamos a falar de “O Padrinho III”/”The Godfather III”. Mas voltemos um pouco atrás. A Paramount pretendia dar continuidade à saga da família Corleone e Mario Puzo e Francis Ford Coppola decidiram avançar com um novo argumento, retratando o final da vida de Michael Corleone e a respectiva passagem do “testemunho”.
E mais uma vez Al Pacino demonstrou ser o maior actor norte-americano vivo. Basta recordarmos a sua morte no final da película, possivelmente um dos mais belos momentos do cinema do cineasta, possuidora da solidão que o poder transporta sempre consigo.


Andy Garcia e Al Pacino

O ambiente em Roma, onde se desenrolou a rodagem do filme, era no início um verdadeiro caos. A máfia “controlava” ao longe as filmagens da película, chegando-se até a falar que alguns elementos da organização participaram como extras, para controlarem o que se passava no interior da produção.
Foi este o ambiente encontrado por Winona Ryder ao chegar a Roma para interpretar  personagem de Mary Corleone, a filha do poderoso Padrinho e poucos dias depois o inevitável esgotamento nervoso chegou. Johnny Depp, então seu “namorado”, ainda voou para Itália, mas de nada serviu a sua presença.


Sofia Coppola em "O Padrinho III" / "The Godfather III"

E foi assim que Francis Ford Coppola, desesperado, se virou para a sua filha Sofia e lhe disse que ela seria a nova Mary Corleone. O que se passou a seguir é de todos conhecidos; a crítica da especialidade saudou a película efusivamente, excepto a interpretação de Sofia Coppola. Basta consultar a imprensa da época, nacional ou internacional e o resumo é sempre o mesmo: “ a sua interpretação é um verdadeiro desastre”, depois os anos passaram, Sofia Coppola não voltou a estar à frente de uma câmara e preferiu ficar na retaguarda e seguir o caminho traçado pelo pai.
A sua primeira película, “As Virgens Suicidas”, recolheu o aplauso unânime da critica especializada e do público e rapidamente todos nos esquecemos da sua passagem pelo terceiro capítulo da saga “O Padrinho”, uma das mais fabulosas obras da História do Cinema.



(1) - Martin Scorsese, com o seu segmento “Life Lessons”/”Lições da Vida”, acabaria por realizar um dos seus mais belos e pessoais filmes de sempre, com um Nick Nolte fabuloso e uma montagem de Telma Schoonmaker digna de Oscar, a questão da influência do amor na criatividade do artista é abordado de uma forma sublime neste filme, o primeiro da trilogia de “New York Stories” / “Histórias de Nova Iorque”.

(continua)

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